Assunção, 29 (AE-ANSA) - Tão logo a Suprema Corte de Justiça decide que o Paraguai deve realizar eleições para vice-presidente, em novembro próximo, os partidos já começam a mostrar suas diferenças sobre o tema. Um setor do Partido Colorado, do atual presidente Luis González Macchi, acha que o cargo não deve ser dado à oposição, como foi anteriormente acertado entre os partidos que compõem atualmente o governo de unidade nacional. O deputado colorado Angel Barchini, que defende a idéia, disse que nas eleições de 98 a vice-presidência também foi conquistada pelos colorados. "Tivemos a maioria dos votos", argumenta.
Há um setor colorado, contudo, que acha que o cargo deve ficar com os oposicionistas para que a coalisão se mantenha. Com a morte do vice Luis Maria Argaña, assassinado em março, e a renúncia do presidente, Raúl Cubas, o Paraguai formou seu primeiro governo de coalisão. O atual governo de unidade nacional é composto, além do Partido Colorado, pelos oposicionistas Liberal (PL) e Encontro Nacional (PEN). Os líderes partidários haviam feito um pacto. No caso de eleições para vice, só a oposição apresentaria candidatos.
O presidente do Partido Liberal, Julio Franco, acha que o cargo deve ser de sua agremiação por consenso. O Partido Encontro Nacional está dividido sobre o assunto. Uns acham que devem seguir os liberais, outros que o PEN deve ter também seu candidato e uma terceira via sequer engole a coalisão. Julio Vasconsellos, conhecido jurista ligado aos colorados, entende que a decisão da Corte de manter Macchi no poder até 2003 é inconstitucional. Para ele, é preciso ter eleições também para presidente.

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