Partido retira apoio a Kohl para evitar danos políticos
Berlim, 22 (AE-AP) - O partido de Helmut Kohl retirou hoje (22) o seu apoio ao ex-chanceler em uma tentativa dramática de limitar os danos políticos que possam ser causados por um escândalo envolvendo financiamento de campanha.
Em um duplo ataque contra o ex-líder do partido, a mesa diretora da União Democrata Cristã emitiu hoje um comunicado pedindo para que Kohl revele as fontes de doações secretas de campanha. No mesmo dia, a secretária-geral do partido, Angela Merkel, em uma publicidade paga no jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, criticou o ex-chanceler.
"As ações conhecidas de Kohl causaram danos ao partido", escreveu ela no diário. "Cabe a nós pegarmos o futuro em nossas mãos". Merker, ex-subordinada de Kohl, pediu para que ele renunciasse a seu posto no parlamento e a seu cargo de presidente honorário do partido.
As críticas refletem a crescente frustração dos sucessores de Kohl com sua recusa em revelar os doadores de campanha, que, segundo o próprio ex-chanceler, contribuíram com mais de dois milhões de marcos (US$ 1 milhão) em dinheiro de 1993 a 1998.
Merkel conclamou Kohl a revelar os detalhes das doações, afirmando que sua "atitude ilegal" de aceitar contribuições anônimas colocou sua credibilidade e a do partido em xeque.
Kohl foi questionado por auditores na segunda-feira, mas se recusou a revelar os nomes dos doadores. O ex-chanceler disse que havia prometido mantê-los no anonimato e que não quebraria a sua promessa agora.
Um relatório dos auditores revelou um "sistema fechado" de contas secretas do partido alimentadas com depósitos em dinheiro totalizando 3,9 milhões de marcos (US$ 2 milhões) entre 1993 e 1998.
Cerca de um quarto do dinheiro veio de transferências feitas por comitês do partido, mas o restante ainda é bem maior que a quantia reconhecida por Kohl. A razão desta diferença ainda não é conhecida.





