Sonia Gandhi, considerada uma das principais concorrentes ao cargo de primeiro-ministro da Índia, renunciou à presidência de seu partido, o Partido do Congresso, após importantes líderes reclamarem que o fato de ela ter nascido na Itália era uma suscetibilidade política.
A renúncia de Sonia Gandhi foi imediatamente rejeitada pela maioria da Comissão dos Trabalhadores do Congresso, maior órgão de decisão do partido. Os membros da comissão foram à sua casa para pedir que ela reconsidere sua decisão.
A renúncia da senhora Gandhi, que entrou para a maior dinastia política da Índia ao casar-se com o falecido primeiro-ministro Rajiv Gandhi, causou uma divisão pública no partido devido a três importantes líderes da agremiação - Sharad Pawar, Purno Sangma e Tariq Anwar -, que disseram que a Índia precisa de um líder nascido no país.
‘‘Meus colegas expressaram opiniões para mostrar que o fato de eu ter nascido em outro lugar provoca a suscetibilidade do Partido do Congresso’’, explicou Sonia Gandhi em sua carta à comissão. ‘‘Estou decepcionada com a falta de confiança deles em minha habilidade para atuar pelos melhores interesses do partido e do país’’, disse ela.
O líder do Partido do Congresso no parlamento, Sharad Pawar, havia dito que apenas um político nascido na Índia poderia ser chefe do governo da Índia. Pawar declarou que entre 980 milhões de indianos deveria haver pelo menos um que pudesse governar o país.
Também o nacionalista partido hindu Baratiya Janata, do premier interino Atal Behari Vajpayee, iniciou uma campanha contra a candidatura de uma estrangeira a primeira-ministra. Sonia naturalizou-se indiana em 1983.

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