Partido neonazista alemão entra em parlamento regional
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domingo, 05 de setembro de 1999
Por Yojana Sharma 
Berlim, 06 (AE-IPS) - O partido neonazista União do Povo Alemão (DVU), que possui apenas 200 filiados no estado de Brandemburgo, foi a surpresa das eleições locais ao conquistar 5 5% dos votos, pouco mais do que o mínimo para ingressar no parlamento regional.
Foi o triunfo de "um multimilionário... que transforma o extremismo de direita em outro de seus negócios", disse Gregor Gysi, dirigente parlamentar do Partido Esquerda Democrática (ex-comunista), outro dos vencedores da eleição.
O líder do DVU, Gerhard Frey, um editor da cidade de Munique, "investiu" na campanha eleitoral US$ 1,7 milhão, o mesmo que o governista Partido Social Democrata, e encheu as ruas de Potsdam com cartazes com os dizeres: "Fora Estrangeiros Criminosos".
As votações do fim de semana em Brandemburgo e no enclave social-democrata de Saarlan, na Alemanha ocidental, eram consideradas como um referendo para o regime sem brilho do chanceler (chefe de governo) Gerhard Schroeder, quase um ano depois que seu partido derrotou o conservador Democrata Cristão em eleições nacionais.
O Partido Democrata Cristão conseguiu diminuir a maioria dos social-democratas em Saarland e frear o crescimento da Esquerda Democrata em Brandemburgo, mas seu êxito ficou em segundo plano diante da façanha do DVU.
O Partido Democrata Cristão, por uma estreita margem, acabou com 15 anos de predomínio social-democrata em Saarland, apesar de em Brandemburgo os social-democratas ainda terem a maioria, mas são agora incapazes de governar por contra própria.
Em Brandemburgo, o Partido Social Democrata deverá buscar uma aliança com os democrata- cristãos ou com os ex-comunistas, já que o Partido Verde, seu parceiro na coalizão governista, ficou fora dos parlamentos regionais ao obter apenas 1,9% dos votos em Brandemburgo e 3,2% em Saarland.
Gysy deixou claro hoje que seu partido não está disposto a participar de uma aliança cujo objetivo é "traduzir a política de Schroeder", ou seja podar a estrutura da segurança social, em Brandemburgo.
O DVU passou da marca mínima de 5% que o permite estar representado no parlamento regional, segundo o sistema de representação proporcional alemão.
É a terceira vez que ele ingressa no parlamento. A primeira foi em 1992, no estado de Schleswig Holstein, apesar de ter perdido as eleições seguintes. A última foi em 1998, no estado oriental de Saxônia Anhalt, quando surpreendeu o país ao conquistar 13% dos votos.
A ascensão da direita em Brandemburgo, que faz fronteira com Berlim, terá consequências embaraçosas para a cidade que tenta projetar-se como uma capital de classe mundial e oferecer segurança para as centenas de diplomatas estrangeiros que se mudarão de Bonn, a antiga capital.
No domingo, o Partido Democrata Cristão obteve 26% dos votos em Brandemburgo, um crescimento de 7,5%. Os social-democratas perderam 14,3% de seus seguidores. A situação beneficiou a Esquerda Democrática, que recebeu 23,5%, e a extrema-dereita.
Pela primeira vez, o DVU terá cinco representantes no parlamento de Brandemburgo. "É um resultado dramático", disse o principal candidato do Partido Social Democrata nas eleições locais, Manfred Stolpe, que expressou a profunda desilusão de seu partido com os resultados.
"Agora que o DVU ingressou (no parlamento), a comunidade terá mais dificuldades para manter-se unida contra o extremismo de direita. A violenta extrema-direita conseguiu uma base moral nessas eleições", disse.
O principal candidato do Partido Democrata Cristão, o controvertido general retirado Joerg Schoenbohm, que como senador em Berlim havia defendido a imposição de uma "cota turca" nas escolas da cidade e a suspensão da entrada de residentes turcos em certos distritos berlineses, se mostrou mais moderado em relação à vitória do DVU.
Schoenbohm foi enviado a Brandemburgo para atrair os votos da juventude desencantada que, de outra forma, votaria na extrema-direita ou nos ex-comunistas, mas ele acabou acusado de levar o Partido Democrata Cristão quase ao campo da extrema-direita com seus sentimentos "xenófobos".
Em vez de criticar o avanço do DVU, como fizeram seus correlegionários, Schoenbohm se limitou a comentar que a ameaça da extrema-direita deve ser conbatida dando à juventude mais esperança no futuro, sobretudo com a criação de empregos.
Os analistas sublinham que o avanço do DVU reforçará sua imagem pública, principalmente nas vésperas das eleições nos estados orientais de Turingia, no dia 12, em Saxônia, em 19, e em Berlim, em 10 de outubro.
Ao contrário dos outros partidos, os candidatos do DVU não saíram às ruas para apertar mãos nem beijar bebês. Seus candidatos continuam parcialmente invisíveis, o que criou a reputação de "partido fantasma" dirigido de Munique por Frey.
Segundo o serviço secreto alemão, o Escritório para a Proteção da Constituição, o DVU tem 18.000 filiados e é o maior partido neonazista do país.
Entretanto, o escritório detalhou que ele só tem 200 filiados em Brandemburgo, o que faz aumentar a impressão de que o DVU é um partido com poucas raízes na comunidade e é comandado à distância.
O Partido Esquerda Democrática promete lutar contra o DVU, como o fez em Saxônia Anhalt, onde tentou excluir os neonazistas das sessões oficiais.
A vitória do DVU provavelmente aumentará a confiança dos grupos neonazistas em geral. Depois da vitória em Saxônia-Anhalt em 1998, muitos filiados do DVU e skin heads marcharam nos centros das cidades, apesar de terem de enfrentar passeatas antifascistas. O número de ataques xenófobos aumentou de forma alarmante.
A entrada do DVU na política oficial é apenas um dos problemas que Schroeder terá de enfrentar nas próximas eleições estatais. A votação em Brandemburgo foi o sinal de alarme.
Frey já colocou na mira Turingia, cujas eleições locais serão neste domingo. "Esperamos conseguir 10 por cento dos votos", adiantou Heinrich Gerlach, auxiliar de Frey.


