Brasíia, 17 (AE) - O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen(SC) , reafirmou que o partido vai continuar atento para verificar se houve ou não interferência do governo na cooptação de deputados para o PSDB constituir a maior bancada da Câmara. "Ficou o carimbo da dúvida e fatos posteriores é que vão poder dissipá-la ou confirmar as impressões digitais", afirmou. Questionado se as desconfianças do PFL recaem sobre o presidente Fernando Henrique Cardoso, Bornhausen respondeu que, no encontro de ontem com integrantes do partido, o presidente deixou claro que não houve conivência do governo com a cooptação. "Eu acredito no presidente e espero que seja verdade
ou melhor, tenho certeza que é verdade", disse Bornhausen, acrescentando que o PFL estará acompanhando para saber se houve participação de integrantes do governo e se os métodos de cooptação foram lícitos.
Liberdade - Bornhausen esclareceu que a liberdade adquirida pelo partido, conforme anunciaram hoje diversos líderes da legenda, tem uma outra face. "A outra face da liberdade é a responsabilidade", disse ao lembrar que o PFL foi profundamente solidário com o governo, principalmente no ano passado, quando o Brasil sofreu uma grande crise. "Muitas vezes votamos o que tínhamos que votar, sem discutir, para não sermos responsabilizados por uma grande crise, iminente em 99. Vencida a crise, não há razão para que o partido não manifeste sua posição e não provoque o debate com antecedência sobre aquilo que será tratado no curso do ano", afirmou o senador.
Segundo ele, "temas importantes não podem ser decididos em gabinetes fechados". Entre os temas que o partido pretende discutir com profundidade estão a recuperação do valor do salár io mínimo, a redefinição do papel das Forças Armadas, o novo papel das relações exteriores e as reformas tributária e do poder judiciário, entre outros. Bornhausen disse ainda que a decisão da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, de elevar para o equivalente a US$ 100,00 o piso dos salários dos servidores estaduais foi possível graças ao saneamento financeiro obtido após a reforma administrativa feita naquele estado. Segundo Bornhausen, a decisão é um exemplo para os outros governadores, inclusive do PFL.

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