Viena, áustria, 5 (AE-AP) - Reagindo ao choque e à preocupação que o mundo expressou diante do resultado das eleições parlamentares de domingo, Joerg Haider afirmou hoje que este resultado não mostra uma "guinada para a direita, mas uma guinada para a justiça". Haider disse à imprensa austríaca e estrangeira que, se o presidente solicitasse, seu partido de extrema-direita, o Partido da Liberdade, estaria pronto para assumir o controle do governo, caso ele se confirme como o segundo partido mais votado. Duzentos mil votos de eleitores que votaram pelo correio ainda não foram aferidos, o que deve levar uma semana.
Segundo resultados provisórios, o Partido da Liberdade teve 27.22% dos votos, o que significa um enorme crescimento de 5.33 pontos percentuais, chegando em segundo lugar. Os sociais- democratas, que caíram para 33.39% - seu pior resultado em eleições - ,ficaram em primeiro.
O Partido do Povo perdeu cerca de um por cento de um total de 26.90%, o que o colocou pela primeira vez em terceiro lugar numa eleição nacional desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Para o Partido do Povo, a eleição de domingo foi, de formas variadas, um resultado histórico e para a áustria uma mudança histórica na paisagem política", afirmou o confiante Haider.
O mundo está acompanhando atentamente a ascensão meteórica de Haider, que no passado elogiou as "políticas decentes de emprego " dos nazistas e chamou os veteranos das unidades da SS de "homens de caráter".
O chanceler austríaco Viktor Klima criticou a reação negativa do exterior e mostrou-se preocupado com o fato de que tal reação prejudicaria a imagem do país. Klima afirmou que daria uma entrevista coletivas para a imprensa internacional na próxima semana para esclarecer a posição do país depois das eleições. "Não posso aceitar que a áustria seja repentinamente descrita como um estado nazista ou nacional-socialista", disse.
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak, expressou sérias preocupações com o resultado das eleições austríacas. Numa declaração divulgada hoje, Barak afirma que "a ascensão da extrema- direita deveria disparar um alarme para aqueles no mundo livre que ainda se lembram dos horrores da Segunda Guerra Mundial". O primeiro-ministro convocou as "forças esclarecidas do mundo a unir esforços para impedir que a praga do fascismo e do nazi-fascismo se espalhe".
Alexander van der Bellen, o líder moderado dos Verdes, que ganharam mais de 7% dos votos, disse à imprensa que "a áustria não era um país nazista antes da eleição e não se tornou um depois dela".

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