Rio, 03 (AE) - Os partidos que compõem a frente de apoio ao governo Anthony Garotinho, PDT, PT, PSB, PC do B e PCB, decidiram hoje criar um fórum permanente no Estado para pressionar o governo com reivindicações e reafirmar seus compromissos nacionais, como a oposição à contribuição previdenciária de inativos. A medida, uma tentativa de enquadrar o governador -que já prepara sua candidatura à Presidência da República em 2002-, foi tomada em reunião marcada por queixas contra Garotinho, na sede do PDT. Os participantes também oficializaram seu apoio à criação de um conselho político de governo, à qual o pedetista se opõe.
Os representantes dos partidos que elegeram Garotinho em 1998 reclamaram da excessiva independência do governador, mas reconheceram que agiram mal ao se relacionar individualmente com o pedetista, negociando em separado suas participações na administração. Isso teria dado espaço a problemas como a polêmica com o PT, envolvendo postos no governo. "Se esse fórum já existisse em dezembro, não teríamos saído discutindo cargos"
disse o presidente do PT, Carlos Santana. A proposta de criação do fórum foi apresentada pelo presidente regional do PSB e e secretário de Saneamento, Alexandre Cardoso.
Segundo participantes da reunião, o governador não terá que se submeter ao fórum, mas as bancadas estaduais, sim. Como pressão, as legendas poderão mandar seus deputados na Assembléia Legislativa votar contra projetos de interesse de Garotinho -que
por exemplo, defende a contribuição de inativos. "O PDT tem posição nacional, de convenção, contra a cobrança", afirmou o presidente da legenda, Leonel Brizola.
"No Rio, devemos desenvolver políticas no sentido de ir eliminando-a, pouco a pouco." A primeira reunião do fórum será na sexta-feira (05), para fechar uma pauta para ser levada a Garotinho.
Outra participante da reunião, a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ), destacou que a criação do conselho político daria "norte político" (direção) ao governo estadual. Garotinho, que assumiu na campanha o compromisso de criar o conselho, tem sido contra, alegando que vai atrapalhar. Participantes da reunião disseram que o fórum, um órgão com poder de decisão, é diferente e mais poderoso que conselho, instância de governo e consultiva.
Em nota divulgada após o encontro, os cinco partidos afirmaram: "Uma das causas dos desentendimentos que vieram a público foi a pequena interlocução política entre o governador e os partidos da frente, o que dificultou a superação de divergências e a construção comum de diretrizes políticas, acumulando insatisfações (...)."
Após a reunião, Brizola acusou Garotinho de usar a máquina pública estadual para influenciar as decisões do PDT. A influência se daria por intermédio de pessoas nomeadas para cargos de confiança no Estado e que teriam postos nas instâncias de direção partidária. "Não negamos ao governador Garotinho nenhum tipo de atividade política, só achamos que não fica bem ele utilizar a máquina do governo para imprimir essa ou aquela diretriz ao nosso partido", criticou. O presidente do PDT defendeu proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) de tirar dos pedetistas no governo o poder de decisão na legenda.

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