Pequim, 30 (AE-ANSA) - O Partido Comunista Chinês celebrará nesta sexta-feira seus 50 anos no poder, confiante de que chegará aos 100.
"Ao norte e ao sul do Rio Azul (Chang Jiang), dentro e fora da Grande Muralha, dos confins ocidentais à costa oriental, por todas as partes se elevam cantos de júbilo e se estende um mar de flores", escreveu o oficial Diário do Povo em editorial que aparecerá amanhã em sua primeira página sob o título (em vermelho pela festa) "Longa vida à pátria".
O partido cometeu alguns erros - afirma o diário do PC - mas soube corrigir-se e não existe nenhuma força política capaz de substituí- lo, de garantir à China o desenvolvimento e prosperidade.
O diário define o partido como "generoso, ativo, audaz, progressista, valente, criativo".
Afirma, também, que "nunca como hoje os chineses puderam estar com a cabeça bem alta", e concluiu que "quando foram cumpridos 100 anos de fundação, a China será um país socialista rico, forte, democrático e civil".
O editorial é pressumivelmente uma cópia do discurso que pronunciará amanhã o chefe de Estado e secretário-geral do partido, Jiang Zemin, desde o palco com a imagem de Mao Tsé-tung sobre a Porta da Paz Celestial, que deu o nome à famosa praça.
O presidente falará do mesmo local onde em 1º de outubro de 1949 Mao, líder histórico do PC chinês, proclamou o nascimento da República Popular, depois de 20 anos de guerra civil. O discurso será proferido depois de Jiang ter passado em revista a guarda de honra a bordo de uma "Hongqi", uma limusine "Bandeira Vermelha".
Mas as comemorações podem ser arruinadas por um inimigo temido e difícil de se combater: a chuva, que começou a cair hoje com violência na capital, algo incomum para esta época do ano.
As forças armadas, afirmou hoje um porta-voz do serviço meteorológico de Pequim, são responsáveis pelo tempo, mas o que têm feito para cumprir a missão "é um segredo de Estado".
A polícia enfrenta outros perigos e centenas de agentes, com cães adestrados para detectar explosivos, inspecionaram durante a noite cada arbusto da avenida Changan (da Grande Paz), onde amanhã 20 mil soldados e cerca de 450 mil pessoas farão o 13º desfile desde 1949 e o primeiro em 15 anos. Será o maior desfile da história da China.
Em 1989, o 40º aniversário ocorreu num momento em que ainda estavam frescas as imagens de tanques reprimindo o movimento encabeçado por estudantes e o partido decidiu afastar os militares das comemorações.
Mas já se passaram 10 anos desde a repressão da Praça da Paz Celestial, e as pessoas já e esqueceram.
Outros problemas agoniantes da realidade cotidiana preocupam hoje os chineses, que celebram os 50 anos da República Popular enquanto o estado de bem-estar social é desmantelado diante seus olhos.
As certezas e esperanças que os fizeram aceitar movimentos políticos e revoluções contínuas - aqueles erros aos quais o Diário do Povo fez referência - e que justificaram a restrição das liberdades em nome de um futuro de igualdade e justiça estão desmoronando diante das drásticas medidas para reestruturar o sistema econômico.
E enquanto toda a China se prepara para festejar, 400 operários despedidos e aposentados prematuramente de uma fábrica deficitária de Xian anunciaram que promoverão uma manifestação precisamente amanhã.
Desde julho, eles não recebem mais do que 80 iuans (cerca de US$ 9) de subsídio por mês, o que custa sete litros de óleo comestível. Vários milhões estão nas mesmas condições.
Também hoje, o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, acusou os EUA de estar tornando inevitável uma guerra entre Pequim e Taiwan, por "dar apoio ao projeto de independência" do presidente taiwanês, Lee Teng-hui.
Zhu disse que, sem a retaguarda americana, Lee jamais se teria atrevido a propor que as relações entre a ilha e a China sejam de Estado para Estado, como fez em julho.
"Mais cedo ou mais tarde essa questão exigirá uma solução armada, porque o povo chinês ficará impaciente", acentuou o dirigente.
As declarações foram feitas durante recepção de gala para 5 mil convidados, como parte das comemorações dos 50 anos da República Popular.
No fim da guerra civil que resultou na instauração do regime comunista na China, Taiwan, para onde fugiram os nacionalistas, separou-se do restante do país. Essa secessão nunca foi reconhecida por Pequim, que considera a ilha uma "província rebelde".

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