Partido-chave ameaça abandonar Barak
Jerusalém, 27 (AE-AP) - O partido ultra-ortodoxo Shas anunciou nesta segunda-feira (27) estar abandonando a coalizão do primeiro-ministro israelense Ehud Barak devido a disputas orçamentárias, mas depois deu 24 horas de prazo para que suas exigências sejam atendidas. A saída do Shas - com 17 das 120 cadeiras do Parlamento - deixaria a coalizão com uma minoria de 51 assentos.
Políticos veteranos disseram que se trata apenas de uma crise previsível e temporária por causa de dotações orçamentárias, mas
de qualquer forma, ela mostra a fragilidade do governo de Barak às vésperas de um ano para o qual são esperadas decisões cruciais para a paz com os palestinos e os sírios.
O Shas, que apóia o processo de paz com os árabes, ficou irritado com o governo por este não desembolsar milhões de dólares para saldar as dívidas da rede educacional mantida pela agremiação - e mergulhada em escândalos de corrupção -, assim como para programas de saúde e bem-estar social.
"Nós dissemos ao primeiro-ministro que, nesta situação, não podemos continuar no governo", afirmou o líder do Shas, Eli Yishai, após uma reunião com Barak.
Yishai disse que o conselho de sábios do partido tomou a decisão de abandonar o gabinete e insistiu que o grupo não pode assumir responsabilidade pelas políticas do governo sem que haja cooperação para enfrentar questões sociais importantes para o movimento.
Apesar do anúncio de abandono da coalizão, Yishai acabou aceitando o pedido de Barak de congelar a decisão por 24 horas para dar tempo para que o primeiro-ministro encontre uma solução.
"O primeiro-ministro pediu que esperássemos porque ele acredita que as coisas serão resolvidas. Respeitamos seu pedido e vamos esperar, mas nossa decisão é renunciar", disse um porta-voz do Shas, que tem sua base de apoio entre os judeus sefarditas, originários do norte da áfrica e do Oriente Médio.
Num encontro com deputados de seu Partido Trabalhista no Parlamento, Barak afirmou: "Peço que todas as facções da coalizão deixem de lado quaisquer diferenças e se unam para aprovar o orçamento. Também digo a nossos amigos no Shas que estou convencido de que será possível resolver a questão adequadamente e com justiça."
Ao escolher, em julho, o Shas como parceiro de governo (em vez do direitista Likud), Barak explicou que poderia contar com o apoio do Shas para os acordos de paz que ele pretende firmar, mesmo que para isso fosse necessário satisfazer suas exigências financeiras.
Vários políticos e analistas disseram acreditar que, de fato, se trata apenas de uma manobra do Shas para conseguir mais dinheiro. "Há constantes crises no gabinete, mas essas crises normalmente causam mais manchetes do que queda de governos", comentou o analista político Barry Rubin.
"Isto pode ser uma manobra tática", disse o deputado Yosef Paritzky, do partido secular Shinui. "Temos de lembrar que a votação do orçamento será quinta-feira à noite. Mesmo que os ministros renunciem, eles têm 28 horas para voltar atrás."





