Partida de Rugova pode afetar estratégia da Otan
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Robert H. Reid 
Viena, 06 (AE-AP) - A decisão do presidente Slobodan Milosevic de deixar o mais proeminente líder albanês étnico de Kosovo partir do país pode ser o mais crítico desdobramento até agora afetando a estratégia da Otan de usar a força para impor um acordo para Kosovo.
Ibrahim Rugova desembarcou quarta-feira em Roma junto com sua família. Rugova foi eleito presidente da não-reconhecida República de Kosovo por albanesese étnicos que rejeitaram a mão de ferro imposta por Milosevic em Kosovo, uma província sérvia com uma maioria albanesa étnica.
Presumivelmente, o intelectual de 54 anos está agora livre para falar abertamente sobre como ele acredita que a crise deve ser resolvida.
Se Rugova repetir declarações atribuídas a ele enquanto ele permanecia na Iugoslávia, isto iria minar a estratégia ocidental de usar aviões da Otan e mísseis para forçar Milosevic a aceitar os termos do Ocidente para a solução da crise e permitir que estimados 700.000 refugiados albaneses étnicos voltem para casa.
Por outro lado, se ele repudiar aquelas declarações e endossar a estratégia da Otan, isto iria silenciar críticos no Ocidente e fortalecer a resolução ocidental para perseguir a campanha aérea. E iria também acalmar preocupações entre o rebelde Exército de Libertação do Kosovo que Rugova se vendeu para os sérvios.
Em sua primeira entrevista coletiva, concedida hoje em Roma, Rugova evitou dizer se apóia ou não a campanha de bombardeios da Otan, ou se os encontros que teve com líderes sérvios foram realizados sob coação.
Entretanto, ele endossou chamados dos EUA pela participação da Otan numa força de paz internacional para Kosovo e também pela retirada das forças sérvias para que refugiados albaneses étnicos possam retornar em segurança.
No mês passado, a mídia iugoslávia anunciou que Rugova e o presidente da Sérvia, Milan Milutinovic, haviam assinado um comunicado conjunto pedindo pela imediata retomada das conversações entre o governo sérvio e líderes políticos albaneses kosovares, tendo como base a garantia de "ampla autonomia" e "plena igualdade" para todos em Kosovo.
O comunicado também pedia pelo fim dos bombardeios da Otan, apesar de que por semanas antes do início da campanha aérea em 24 de março, Rugova, um pacifista, vinha pedindo pela intervenção militar ocidental.
Autoridades ocidentais e da Otan têm desprezado o comunicado conjunto, dizendo que Rugova e sua família estavam sob prisão domiciliar na capital kosovar de Pristina e que tais declarações foram provavelmente feitas sob coação.
Se Rugova repetir o pedido pelo fim da campanha de bombardeios
isto teria um grande impacto, desde que o objetivo declarado do assalto aéreo ocidental é proteger e defender o povo que muitos governos ocidentais acreditam é representado por ele.
Talvez por causa das incertezas em relação às posições de Rugova, o porta-voz do Departamento de Estado James Foley reagiu positivamente mas com cautela às notícias de sua aparição na Itália.
"Estamos muito felizes que ele pôde partir", disse Foley. "É um desdobramento positivo". Perguntado se Washington considerava Rugova o líder dos albaneses étnicos, Foley respondeu simplesmente: "Isto tem de ser decidido pelos kosovares".
O encontro com Milutinovic, entretanto, seguiu-se a conversações entre Rugova e Milosevic em 1º de abril. Isto provocou suspeitas entre albaneses-kosovares de que Rugova poderia estar disposto a negociar com o governo Milosevic, talvez tentando poupar seu povo de mais sofrimentos e fortalecer sua posição contra militantes rivais em sua comunidade.
Baton Haxhiu, editor-chefe do jornal Koha Ditore de Kosovo, disse a jornalistas na quarta-feira que Rugova "foi trazido para a Itália" a fim de revelar um "plano de paz de compromisso trabalhado junto com Milosevic".


