Madri, 02 (AE-AP) - A disposição do braço político do grupo extremista basco ETA de participar de uma manifestação de protesto contra a decisão da guerrilha de retomar a luta armada dividiu a Espanha.
Alguns acreditam que trata-se de um passo em direção à paz, enquanto outros sustentam que é apenas uma manobra tática.
O partido separatista Herri Batasuna (HB) anunciou na noite de ontem que participará das manifestações convocadas para amanhã pelo governo regional basco, em protesto contra o anúncio do ETA de que nesse dia retomará a luta armada pela independência depois de uma trégua de 14 meses.
O presidente regional basco Juan José Ibarretxe disse que a decisão do HB é "muito alentadora" para os esforços de se conseguir que o ETA reconsidere a suspensão do cessar-fogo que declarou em 16 de setembro de 1998.
Mas o ministro do Interior Jaime Mayor Oreja afirmou que o HB estava enviando "uma mensagem cheia de confusão", e advertiu que os radicais poderiam estar tentando mudar o espírito anti-ETA das manifestações programadas para amanhã em frente a diversos prédios públicos em cidades da nortista região basca.
Os jornais também se dividiram em relação à disposição do HB de colocar-se ao lado dos partidos políticos espanhóis contra a ala armada do ETA, pela primeira vez na história.
O diário El País escreveu que a decisão do ETA foi tomada em vista de um espírito doutrinário que tomou conta da organização, e que o anúncio divulgado no último domingo, dando conta que a trégua terminará amanhã, tomou de surpresa os dirigentes do Herri Batasuna.
Segundo esta análise, o anúncio do HB de que irá unir-se aos protestos era uma advertência ao ETA de que se promover algum ataque, correrá o risco de perder seu contato com o campo político legal.
Já o diário El Mundo publicou que o HB obteve promessas dos principais partidos nacionalistas bascos de que darão ênfase a uma posição pró-independência, o que sugeriria que tanto a ameaça do ETA quanto as críticas do Herri Batasuna fazem parte de uma estratégia para pressionar os nacionalistas moderados, como Ibarretxe.
O grupo ETA (Pátria Basca e Liberdade, sigla em basco) deu início à sua campanha armada pela independência do país basco em 1968, e seus atentados e ataques deixaram desde então cerca de 800 mortos.

mockup