O Paraná e o Ceará foram os estados escolhidos pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para a realização de um estudo piloto do Projeto Gênero e Reforma Agrária, que será desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A proposta da FAO é pesquisar nos assentamentos sem-terra como se dá a participação da mulher na reforma agrária.
O estudo deve ter a primeira fase concluída em novembro do ano que vem. De acordo com a coordenadora do projeto, Sessuana Pease, responsável pelo Incra de Cascavel, com os dados nas mãos o instituto irá tomar algumas medidas que possam favorecer as mulheres, como propor alterações na legislação.
O projeto inclui palestras feitas aos próprios técnicos do Incra por especialistas em Gênero e Direitos Agrários. ‘‘Primeiro temos que conscientizar os técnicos da própria instituição em relação ao assunto’’, explica Sessuana.
Para citar um exemplo de como as participação das mulheres em assuntos agrários poderia ser mais valorizada, ela lembra que as reuniões convocadas pelo Incra são frequentadas quase que unicamente por homens. ‘‘Elas só vão quando são convidadas pelos técnicos’’, completa.
As mulheres também ficam de fora dos contratos de assentamento de terra, que são assinados somente pelos seus maridos. ‘‘A assinatura delas seria uma forma de fazer com que se reconheçam no direito de decidir que produtos comprar ou no que investir o lucro. Hoje muitas ficam alheias a isso e recolhidas em suas casas’’, esclarece a coordenadora.
A FAO investiu R$ 240 mil nesse projeto, proposto pelo ministro da Agricultura Raul Jungmann quando visitou, em 95, a Itália – sede da entidade. Segundo Sessuana, o Paraná foi um dos estados escolhidos para o início das pesquisas por ter sido o pioneiro no trabalho com mulheres assentadas (em 95 foi promovido o 1º Encontro das Mulheres da Reforma Agrária no Estado).
Quanto à escolha do Ceará ela diz que favoreceram as diferenças geográficas e de demarcação de terra das duas regiões. ‘‘A FAO sempre trabalha com amostragens diferenciadas’’, destaca.

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