Rio - O Brasil agrícola do início do século passado virou apenas nostalgia no País industrializado do século 21. Enquanto a participação da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB) caiu quatro vezes do início ao fim do século 20, passando de 45% em 1900 para 11% no ano 2000, a indústria aumentou quase três vezes a sua participação no período (de 11,6% para 28%).
A agropecuária perdeu participação também para o setor de serviços, que chegou ao final do século ostentando uma participação de 61% no PIB, também superior aos 44% de 1900. O economista e consultor Regis Bonelli acredita que essa hierarquia entre os três setores deverá perdurar em todo o século 21. ''Essa evolução de longo prazo seguiu padrões muito semelhantes aos de diversos países'', afirmou.
Bonelli, que escreveu o capítulo sobre estrutura econômica do País na publicação do IBGE, disse que o século passado foi marcado pela mudança macro entre os setores, enquanto neste século ocorrerão transformações intra-setoriais, especialmente na indústria e nos serviços, que no entanto não serão suficientes para eliminar os lugares já definidos no ranking estrutural.
A agropecuária deverá permanecer em terceiro lugar apesar do aumento da produtividade possibilitado pelos ganhos tecnológicos. Apesar disso, deverá ganhar alguma fatia de participação, e é do setor que deverá sair um dos principais impactos sobre a indústria no novo século: o crescimento do agronegócio, com a industrialização de produtos agrícolas, inclusive para exportação.
O setor de serviços, por outro lado, deverá acompanhar no Brasil a tendência de diversificação e crescimento da importância que vem sendo registrada em todo o mundo. A expectativa de Bonelli é que prossiga a expansão de segmentos como comunicações, organizações não-governamentais (ONGs) ou modernização de segmentos tradicionais como o comércio.

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