KORISA, Iugoslávia, 14 (AE-AP) - Traumatizados sobreviventes de um ataque a bomba que autoridades iugoslávias afirmam matou cerca de 100 refugiados relataram hoje (14) como a morte caiu sobre eles enquanto dormiam.
Repórteres levados ao local viram dezenas de corpos, muitos deles completamente carbonizados, espalhados ao redor de um depósito de entulhos na frente de um motel.
Autoridades iugoslavas disseram que o comboio de refugiados estava acampado no local durante a noite quando foi atingido por bombas da Otan.
Cerca de 20 a 30 tratores estavam queimados e destroçados, alguns deles ainda fumegando horas depois do bombardeio. Os corpos de duas crianças eram irreconhecíveis, outras partes de corpos e partes de bombas estavam espalhadas por toda parte. Duas crateras eram visíveis na estrada.
Destan Rexha, 49 anos, que vive em Korisa, afirmou que a população havia retornado à vila no dia anterior depois de mais cedo ter subido para as montanhas em busca de segurança. Eles retornaram depois de chegar a um acordo com o comandante militar local.
"Durante a noite, por volta da meia-noite... ouvimos fortes explosões. Foram cinco delas", disse ele.
"Havia muita gente ferida, morta. Outras explosões nos atingiram e aos que estavam do lado de fora".
Outro homem, Feriz Emini, afirmou que ele estava viajando em direção à Albânia antes de as bombas caírem. Ele disse que "muitas" pessoas foram mortas.
"Todo mundo estava dormindo", relatou.
No porão de uma casa na vila, repórteres viram cerca de 50 mulheres e crianças, amontoadas num cômodo vazio. As pessoas afirmaram que estavam se escondendo das bombas.
"Meus filhos. Não falem comigo, eles são loucos", disse uma mulher, batendo no peito.
Outra mulher afirmou aos repórteres que toda sua família morreu no ataque.
Autoridades iugoslavas disseram que as bombas atingiram um comboio de cerca de 500 refugiados que estavam passando a noite na vila, que fica na estrada entre Prizren e Suva Reka, no sul da província.
O porta-voz da Otan Jamie Shea afirmou que não tinha informações sobre o incidente, mas que oficiais iriam investigar as notícias.

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