Parte dos militantes do MST deixa Buritis e volta para acampamentos
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Buritis, MG, 22 (AE) - A maioria dos sem-terra e assentados que esperava em frente a agência do Banco do Brasil, em Buritis , o resultado das negociações entre o coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deixou o local após o fechamento da agência, às 15 horas. Parte deles foi para um galpão aguardar instruções dos líderes e muitos voltaram para os assentamentos, especialmente mulheres e crianças. Eles reivindicam a liberação de R$ 3 milhões para o plantio, antes do dia 30, e ameaçavam invadir o banco caso o dinheiro não seja liberado.
Os militantes chegaram hoje a Buritis, depois de desmontar o acampamento em frente a Fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma comissão de 15 coordenadores está em Brasília negociando com o presidente do Incra, Orlando Muniz. Até hoje apenas dois assentamentos tinham o crédito disponível no banco: o assentamento Barriguda 2 e Nova Itália.
A advogada do MST, Maria das Dores Reis Soares, confirmou que o movimento vai entrar na Justiça solicitando o ressarcimento aos cofres públicos pela utilização do Exército para garantir a segurança da fazenda de FHC. Duzentos e cinquenta soldados do Batalhão da Guarda Presidencial chegou a fazenda sexta-feira.Segundo a Polícia Militar, a maioria dos soldados do Exército já deixou a fazenda, mas o Exército não informou quantos ainda permaneciam na Córrego da Ponte.
O líder Jorge Augusto Xavier de Almeida, que teve prisão preventiva decretada pelo juiz de Arinos, José Antônio Maciel, a pedido do promotor Alan Carrijo, continua foragido. A advogada Maria das Dores, disse que vai entrar com um pedido de habeas-corpus em favor do líder. Segundo Carrijo, há dois processos em Arinos contra Almeida. Um deles é por desmatamento ilegal no assentamento Barriguda e outro por perturbação da ordem e disparos de tiros. O promotor disse que já havia pedido a prisão temporária de Almeida, mas a polícia não o prendeu. "A polícia não cumpre o mandado porque eles têm medo de um novo Eldorado dos Carajás", disse.


