Londres, 26 (AE-AP) - Parte dos credores privados da Rússia, reunidos no Clube de Londres, está disposta a renegociar os US$ 26 bilhões em dívidas da era soviética para adequá-la à capacidade de pagamento do país. O anúncio desse grupo foi feito hoje (26), depois de seis horas de negociações, quando os credores concluíram que realmente os russos não iriam efetuar os pagamentos devidos no dia 2 de junho, relativos aos créditos obtidos até 1992.
De acordo com um dos representantes dos banqueiros privados, foi criado um subcomitê para analisar a situação econômica e fiscal do país e preparar projeções para os próximos três a cinco anos, de modo a estabelecer qual é a capacidade real de pagamento do país. O governo russo, por meio de seu negociador, Mikhail Kasyanov, deixou claro que pretende continuar honrando os vencimentos das dívidas contraídas após 1992, até mesmo pela ex-União Soviética, mas não conseguiu convencer a totalidade dos credores a aceitar a renegociação dos créditos vencidos.
Kasyanov, que na véspera havia sido nomeado ministro das Finanças, retornou hoje mesmo a Moscou, mas não esclareceu se havia ou não aceitado a indicação de seu nome para integrar formalmente a equipe econômica. Relatos não confirmados pelo Kremlin davam conta, hoje, de que o presidente Boris Yeltsin havia voltado atrás na nomeação de Kasyanov e autorizado Mikhail Zardonov a acumular o cargo de ministro das Finanças com o de primeiro-vice-primeiro-ministro, para o qual havia sido nomeado na véspera. Para agravar a situação, outro primeiro-vice-primeiro-ministro indicado, Nikolai Aksyonenko, insiste em comandar a economia do país.

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