Parte de insulina desviada é encontra em posto de saúde
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 02 (AE) - Parte dos 600 frascos de insulina desviados de três postos de saúde estaduais da zona sul, na semana passada, foi encontrada no posto municipal Jardim Marcelo. A localização dos 198 frascos foi fornecida pela funcionária pública Maria Aparecida Kawakubo, acusada de pegar indevidamente os medicamentos, em depoimento à comissão de sindicância.
A Secretaria de Estado da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, desconhecer que estivessem sendo feitas trocas informais de remédio entre os postos da rede estadual e municipal. No entanto, assessores da Secretaria Municipal da Saúde informaram que foi o próprio diretor do posto Jardim Marcelo, Eduardo Ferreira Alves Neto, quem denunciou à secretaria estadual o recebimento do medicamento desviado.
A assessoria da Secretaria Municipal informou também que é comum a troca informal de remédios entre os postos em caso de necessidade, mas as quantidades são sempre pequenas. No caso da insulina, Neto achou que havia algo errado e resolveu avisar a secretaria.
Contradição - O problema é que funcionários do posto de saúde do Jardim Cliper (Haidee Santos, Luciano Oliveira, Paulo Freitas e Zenaide de Jesus) assinaram um relatório revelando o seguinte fato: no dia 26, eles telefonaram para o posto Jardim Marcelo, quando foram informados por uma funcionária identificada como Dulce (do setor administrativo) que era desconhecido qualquer pedido de troca ou doação de insulina. Alves Neto foi procurado pela reportagem, mas até o fim da tarde não havia retornado os telefonemas.
O coordenador de Saúde da Grande São Paulo, Osmar Mikio, informou que os postos de saúde não estão autorizados a efetuar trocas de remédio informalmente. "Se os funcionários perceberem que há remédio excedente no estoque e o prazo de validade vai vencer, o procedimento correto é avisar à direção do núcleo", explica Mikio. Essas trocas, diz ele, precisam, ser fiscalizadas pelo farmacêutico do núcleo.
A insulina começou a ser desviada da rede estadual no dia 23
quando Maria Aparecida Kawakubo se apresentou apenas como Cida a funcionários de três postos de saúde e conseguiu trocar insulina pelo antibiótico Amoxilina 500.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que o secretário, José Guedes, quer que essas trocas, assim como o desvio de medicamentos, sejam esclarecidos o mais rápido possível.


