Parte da terra pode ter sido grilada
O líder do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Buritis, Jorge Augusto Xavier, afirmou ontem que parte da Fazenda Renascença, do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, pode ter sido grilada do patrimônio da União. A fazenda tem 15 mil hectares. Temos convicção de que existem terras devolutas, ou seja, da União, sob o domínio do embaixador, afirmou Xavier.
De acordo com o líder sem-terra, Flecha de Lima teria documentação equivalente a apenas 2 mil hectares da área que ocupa. A fazenda fica a 20 quilômetros de Uruana, município do noroeste de Minas Gerais com pouco mais de 3.200 habitantes. Na fazenda o embaixador cria gado, tem lavouras de soja, de algodão, entre outras culturas, além de silos para armazenar a produção. A fazenda tem uma moderna pista de pouso e, a poucos quilômetros da sede, uma cachoeira com queda dágua de 70 metros.
Xavier revelou, ainda, que na região noroeste de Minas Gerais cerca de 35% das terras pertenceriam a União. Mesmo assim, segundo ele, essas áreas estão ocupadas por fazendeiros e grandes latifundiários. Todos os grandes proprietários da região, sem exceção, grilaram terras públicas, acusou o líder do MST.
O diretor do Instituto de Terras de Minas Gerais, Marcelo Rezende, confirmou que 35% das terras do Estado seriam, de fato, devolutas e pertencentes à União. Ele anunciou, ainda, que o órgão fará nos próximos 30 dias uma investigação sobre a cadeia dominial das terras do embaixador. Se elas tiverem sido griladas, poderemos arrecadá-las para fins de reforma agrária, disse Rezende.





