A orelha esquerda de Wellington Camargo foi cortada pelos sequestradores com uma faca, sem anestesia e, após o corte, foi jogado álcool, segundo disse o sequestrado à equipe médica que o atendeu. Para estancar o sangue, os sequestradores colocaram borra de café e açúcar. Ele perdeu dois terços da orelha, segundo a cirurgiã plástica Mirian de Castro Davini. ‘‘Com certeza, foi uma dor terrível, e o álcool aumenta ainda mais essa dor’’, disse a médica. Ela disse que será feita, posteriormente, a reconstituição da orelha, com cartilagem - que os médicos vão retirar da costela de Wellington - e pele.
Segundo o boletim médico - assinado por cinco especialistas de seis áreas médicas -, Wellington chegou ao hospital magro, com tremores nas extremidades do corpo, pressão arterial relativamente alta e com ritmo cardíaco regular.
Ele se queixa também de muitas dores musculares, já que ficou sem o colete ortopédico de proteção da coluna, que usa frequentemente por ser paraplégico. O que mais preocupa os médicos, no entanto, é o estado psicológico de Wellington, que, segundo o médico Francisco Lobo, é ruim. Por isso, ele será acompanhado permanentemente por uma psicóloga.
Wellington foi submetido a uma bateria de exames. O seu estado é ‘‘regular’’. Ele deve permanecer internado por pelo menos 48 horas.
O secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, vai convidar o secretário de Segurança Pública, Demóstenes Tavares, o comandante da Polícia Militar e o Procurador-Geral de Goiás para dar explicações sobre as investigações do sequestro e o envolvimento de policiais militares no crime. ‘‘Tendo em vista a gravidade do caso, que resultou até mesmo em mutilação, o depoimento destas pessoas torna-se necessário’’, disse.

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