Parquímetro deve eliminar 'flanelinha'
Marcos Zanatta
De Maringá
A empresa que está instalando os parquímetros para controlar as vagas de estacionamento na área central de Maringá, a Tec Park, promete acabar com os guardadores de carros, os chamados flanelinhas. O gerente da empresa na cidade, Dennis Cremonese, disse que os monitores do sistema, que devem atuar na verificação dos parquímetros, vão coibir a ação dos flanelinhas.
De acordo com cálculos dos próprios guardadores, mais de 100 pessoas vivem da atividade em Maringá. Eles atuam principalmente nas avenidas Brasil, Getúlio Vargas, 15 de Novembro, Praça Raposo Tavares e em torno da Catedral. Ou próximo a eventos de grande concentração pública.
Segundo Cremonese, a empresa vai fazer de tudo para tirar os flanelinhas da área monitorada pelos parquímetros. Vamos atuar através de vigilância constante, já que tem alguns flanelinhas que dependem da atividade e são sérios, diz, ressaltando, no entanto, que alguns chegam a ameaçar os motoristas.
Um projeto de lei aprovado em novembro de 1997 proibe a atuação de flanelinhas em Maringá. De autoria do vereador Shinji Gohara (PSDB), a lei nem chegou a ser aplicada. A intenção, segundo Gohara, era tirar os guardadores de carros das ruas para programas sociais da prefeitura. Os que insistissem na atividade poderiam ser multados em R$ 100,00.
Os flanelinhas não acreditam no fim da atividade. Dizem que os PMs vão tomar conta dos parquímetros e tirar a gente daqui. Não acredito, resume o aposentado Durval Martins, 76 anos. Ele trabalha há pelo menos cinco anos no estacionamento da Praça Raposo Tavares e diz que precisa do serviço para complementar a aposentadoria, de um salário mínimo.
O desempregado João Manoel de Souza, 63 anos, que trabalha na Avenida Brasil, disse que só quem quer paga. Ele conta que trabalhava em um bar da antiga rodoviária, mas o patrão não pagava. Não tenho idade para conseguir outro emprego e preciso desse dinheiro, afirma.
Os parquímetros devem começar a funcionar no final de setembro, monitorando 800 vagas na área central. Maringá é a primeira cidade do Paraná a adotar o equipamento, que usa uma espécie de cartão magnético para liberar a vaga. O custo será de R$ 0,02 o minuto, o que já vem rendendo reclamações.
Hoje, a Zona Verde cobra R$ 0,50 a hora. A empresa Tec Park promete contratar todos os menores da Zona Verde. São 90 estudantes carentes, entre 16 e 17 anos, que frequentam escola e recebem R$ 91,00 por mês, mais comissão pela venda de cartões. Segundo da Central da Zona Verde, são vendidos 300 talões de 10 folhas por dia.





