Marcos Zanatta
De Maringá
Todas as reservas de matas nativas da zona urbana de Maringá estão asseguradas graças ao esforço da prefeitura, que nos últimos anos comprou as áreas de particulares. O avanço da cidade estava ameaçando algumas matas, que estão no limite de loteamentos. A preservação também ameniza a devastação ocorrida na zona rural nos últimos anos. Segundo dados da Associação de Defesa Ambiental de Maringá (Adeam), a cobertura vegetal na região de Maringá não passa de 1%.
Hoje, o município tem 12 parques florestais na área urbana e apenas um ainda pertence a particulares, o Horto Florestal, da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Mesmo assim, a prefeitura vem negociando para assumir a administração da área, que tem pouco mais de 37 hectares.
No total, segundo o secretário Hamilton Cardoso, do Meio Ambiente, são cerca de 2,5 milhões de metros quadrados de matas nativas dentro da cidade. ‘‘Muitos moradores não têm nem conhecimento que existem tantos parques preservados dentro de Maringá, e o mais importante, com garantia de preservação’’, diz.
Do total de reservas, nove são declaradas como ‘‘unidade de conservação’’, o que garante o repasse do ICMS Ecológico pelo governo do Estado. O tributo é um incentivo para que os municípios mantenham as reservas, mas não vem sendo repassado regularmente. Maringá chegou a receber R$ 150 mil por mês de ICMS Ecológico.
O dinheiro, diz Cardoso, ajuda nos investimentos necessários para a manutenção das áreas. ‘‘Alguns parques precisam também de melhorias para garantir a preservação’’. Os casos mais urgentes são o Bosque 2, que está com as obras de combate à erosão paralisadas; o Parque das Palmeiras, que está sendo fechado com alambrados para evitar a retirada de lenha pelos moradores; e o Parque das Grevíleas, que a prefeitura pretende iluminar e instalar cercas. ‘‘Mas, apesar da falta de recursos estamos investindo muito para manter todos os parques’’, diz Cardoso.
O Bosque 2, o mais central depois do Parque do Ingá, tem um projeto mais amplo que a instalação das galerias que vão acabar com a erosão. A intenção, explica o secretário, é duplicar as vias em torno da área, colocar alambrado para proteger principalmente os animais que vivem no local, e fazer uma pista de caminhada em torno da mata. O projeto é antigo, mas esbarra na falta de recursos.
A prefeitura não pretende abrir as novas áreas de mata nativa para visitação. Atualmente, apenas o Parque do Ingá, o Alfredo Nyffeler e o Bosque das Grevíleas são abertos ao público, além do Horto Florestal, que não é administrado pela prefeitura.
Cardoso cita o caso do Parque do Ingá, que é de preservação e recebe visitas. A presença de pessoas é uma ameaça constante, principalmente para os animais. Cada pessoa que visita o Parque do Ingá (são cerca de 100 mil por mês) deixa pelo menos um quilo de lixo na área. ‘‘Nem sempre dentro das lixeiras’’, observa Cardoso. Para ele, abrir a mata e não fiscalizar aumenta o risco de degradação por causa da falta de conscientização das pessoas.
Os animais também sentem a presença do homem. A veterinária do parque, Evandra Maria Voltarelli, diz que a maior parte das reservas de Maringá tem colônias de macaco-prego, gambás, cotias e uma infinidade de pássaros. Os funcionários já viram uma família de tamanduá-mirim solta no Parque do Ingá.
‘‘Os visitantes não sabem se comportar com os animais soltos, que não devem ser alimentados’’, comenta. Ela explica que apenas os animais que ficam em cativeiro e os quatis recebem alimentos para não saírem para as ruas. Antes do Ingá receber o alambrado, muitos animais eram atropelados nas ruas vizinhas.
A secretaria está também melhorando as condições do mini zoológico do parque, que tem algumas espécies raras. São veados, tucanos-de-bico-verde e papagaios de-peito-roxo. ‘‘Mas os visitantes gostam mesmo de ver o leão e o bugio’’, diz Evandra. Todos os animais capturados na região são entregues ao parque, que dependendo das condições faz um tratamento de recuperação e depois devolve a matas da região. Os parques de Maringá também fornecem animais para reservas de outras cidades quando é detectado o excesso que coloque em risco o grupo.Somente em Maringá são 12 parques florestais dentro da cidade, que juntos somam 2,5 milhões de metros quadrados de área verde
PRESERVAÇÃO GARANTIDAParque do Ingá, um dos mais antigos e o mais central da cidade, recebe em média 1,2 milhão de visitantes por anoO Bosque 2 é ameaçado pela erosão e precisa de melhoriasParque das Palmeiras será cercado para evitar retirada de lenha

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