O Brasil pode ter mais dois parques nacionais inseridos na lista de patrimônios da humanidade. A informação foi dada ontem pelo secretário da Biodiversidade e Floresta do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro Oliveira Costa. O secretário participa do Primeiro Workshop sobre Gestão Integrada de Sítios do Patrimônio Mundial Natural no Brasil e América do Sul, que começa às 8h30 em Foz do Iguaçu.
De acordo com Oliveira Costa, os parques nacionais do Pantanal (MS) e o do Jaú (AM) poderão ser confirmados como patrimônio da humanidade até dezembro. ‘‘As duas reservas já receberam parecer positivo da Unesco e deverão ser inseridas na lista de patrimônios na reunião deste final de ano’’, disse.
O Parque Nacional do Jaú, criado em 1980, é um dos maiores do Brasil com uma área de 2 milhões e 270 mil hectares. Já o Parque Nacional do Pantanal, com 135 mil hectares, teve a criação em 1981.
Hoje, durante o encontro em Foz, representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Unesco discutirão o gerenciamento, a organização e o funcionamento dos parques nacionais e os de outros países sulamericanos. Mas não apresentarão uma solução definitiva sobre a Estrada do Colono, principal problema enfrentado pelo patrimônio mundial natural mais importante do Brasil: o Parque Nacional do Iguaçu.
De acordo com secretário da Biodiversidade e Floresta do Ministério do Meio Ambiente, o assunto será apresentado junto a outros tópicos. ‘‘Discutiremos propostas, apresentaremos soluções e também problemas ligados aos patrimônios mundiais. A Estrada do Colono está inserida nisso, mas não trataremos especificamente do assunto, que está agora na mãos da Justiça’’, disse.
Além do representante do ministério, o coordenador do Meio Ambiente da Unesco no Brasil, Celso Schenkel, também fará uma palestra neste primeiro dia do workshop, que prossegue até sexta-feira. Schenkel destacou a importância de trocar informações não somente sobre a implantação dos sítios naturais, mas também a captação de fundos para auxiliar os projetos. ‘‘Trataremos ainda da seleção, monitoramento e avaliação dos patrimônios. O objetivo é implementar uma gestão compartilhada destes locais.’’
Sobre a Estrada do Colono, o coordenador da entidade ligada à ONU confirmou que será realizada uma visita ao local (possivelmente na quinta-feira), mas destacou que não haverá ‘‘ações práticas’’ que mudem a atual situação da via, aberta ilegalmente desde junho de 1997. A abertura da estrada levou a Unesco a incluir o Parque do Iguaçu na Listagem de Patrimônios da Humanidade em Perigo.
‘‘A vantagem de se estar nesta lista é que o Brasil pode solicitar uma assistência internacional especial, até mesmo financeira, para resolver a situação. Neste encontro, porém, não discutiremos as particularidades do caso’’, comentou Celso Schenkel.
O coordenador destacou que o impacto ecológico no local é inquestionável. ‘‘A estrada divide uma área intangível, segundo o atual Plano de Manejo do Parque, e isso, sem dúvida, causa impacto à flora e fauna do local.’’
O Parque Nacional do Iguaçu possui 185 mil hectares e abrange o Brasil e a Argentina. A reserva biológica recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade em 1986.