Parque proibirá entrada de veículos
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Valmir Denardin 
ProteçãoConcessionária deverá transportar turistas desde a entrada do parque até as Cataratasuando completar 60 anos, em 1999, o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas, deverá estar concluindo uma profunda fase de reestruturação. O projeto de revitalização da área foi entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no final de abril e o início das primeiras obras está previsto para os próximos meses.
A mudança que mais deverá afetar os turistas é a proibição da circulação de carros e ônibus particulares nos 13,7 quilômetros da BR-469, desde a entrada do parque até as Cataratas. O projeto elaborado por técnicos do Ibama - órgão que administra a área - prevê a construção de um grande estacionamento e de um centro de recepção de visitantes ao lado do portão de entrada do parque.
O transporte dos turistas desse local até as Cataratas deverá ser feito por uma empresa concessionária. Pensamos inicialmente na construção de uma pequena ferrovia para a circulação de uma locomotiva com vagões, mas o projeto é caro e está quase descartado, revelou Julio Gonchorosky, diretor do parque.
Segundo ele, o sistema que deverá ser adotado é uma espécie de trem sobre rodas, uma supercaminhonete que puxaria um número variável de vagões com assentos, dependendo do fluxo de visitantes. No ano passado, o lado brasileiro do parque binacional (entre Brasil e Argentina) recebeu 830 mil visitantes.
O principal objetivo da retirada dos veículos particulares da reserva é proteger a fauna. O parque registra uma média de dois atropelamentos de animais por dia. Além disso, segundo biólogos, o barulho de carros e ônibus interfere nos hábitos dos mamíferos e aves que vivem no local.
Já a partir deste ano, o horário diário de visitação foi reduzido em duas horas durante o inverno, entre maio e outubro. Como nesses meses anoitece mais cedo e o dia nasce também mais cedo, os animais mudam seus hábitos de locomoção e circulam mais no início da noite e no começo da manhã, o que provoca um aumento no número de atropelamentos. O novo horário de visitação, que passou a vigorar no último dia 5, vai das 8 horas às 18 horas.
TrilhasCom a retirada dos veículos da área próxima às Cataratas, a área hoje usada para estacionamento será transformada em praça de alimentação, com restaurantes e lanchonetes. Segundo Gonchorosky, isso possibilitará a retirada dos quiosques atualmente instalados nas escadarias que dão acesso à plataforma e ao elevador panorâmico das Cataratas. O elevador também deverá ser substituído.
Outra mudança prevista no projeto de revitalização do Parque Nacional do Iguaçu é a ampliação das opções de ecoturismo. Está prevista a reabertura para visitação de pelo menos quatro trilhas na mata.
Deverão ser reabertos os seguintes caminhos: a Trilha da Usina (que leva à primeira hidrelétrica da região, construída dentro do parque); Trilha da Represa (no lago que alimentava essa usina); Trilha da Bananeira (que chega até ao Rio Iguaçu) e Trilha do Poço Preto (um grande lago considerado refúgio de animais). Na trilha da represa será construída uma passarela suspensa sobre a água.
O projeto, que já foi entregue ao presidente do Ibama, Eduardo Martins, prevê também a reabertura do museu instalado no parque. O local guarda principalmente animais empalhados, objetos sobre a colonização da região e equipamentos da antiga usina.
Pretendemos entregar a Trilha da Usina e reabrir o museu até setembro, quando serão realizados na região os Jogos Mundiais da Natureza, que devem atrair um grande número de visitantes, anunciou Gonchorosky. As outras obras deverão ser concluídas gradualmente até 1999, para as comemorações dos 60 anos de instalação do parque.


