São Paulo, 29 (AE) - O parque mais antigo da capital paulista será revitalizado. O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Ricardo Ohtake, anunciou hoje que o Parque da Luz passará por ampla reforma para resgatar sua vocação histórica, botânica e de lazer. Saem as prostitutas e os desocupados que há tempos tomaram conta de seus jardins e entram as trilhas culturais por suas árvores raras e apresentações musicais. "Será uma espécie de museu ao ar livre", garante Ohtake.
A partir de segunda-feira (02), os portões do parque já estarão fechados. A reabertura será em 23 de setembro, início da primavera. Convênio com a Pinacoteca do Estado, que passará efetivamente a fazer parte da vida do parque, já garantiu a presença na reinauguração de esculturas européias em seus jardins (entre elas Vênus de Milo, de Arman), é claro que por tempo determinado. As obras são as mesmas que estiveram no Rio, por ocasião da Cimeira. No dia 25, haverá concerto dos meninos cantores de Viena, considerado um dos melhores corais.
Segurança - Segundo Ohtake, ninguém precisará preocupar-se com a segurança. Convênios estão sendo firmados com as Secretarias da Família e do Bem Estar-Social e Segurança Pública para retirar os pontos de prostituição e garantir o policiamento no entorno e dentro do parque.
A entrada não se dará mais pela Avenida Tiradentes. O acesso será pela Pinacoteca e pela Rua Parque da Luz, na frente da Estação da Luz. Nessa via, está previsto um estacionamento para 200 carros e ônibus de excursão. O horário de funcionamento do parque será das 6 às 20 horas (antes era das 7 às 17h30). Toda a iluminação será revista.
O projeto envolve o trabalho de agrônomos, arquitetos, historiadores e designers. O investimento é de R$ 500 mil. A maior parte vem de duas empreiteiras, em regime de compensação ambiental. Em vez do plantio de árvores, que costuma ser a contrapartida pelo desmatamento, optou-se por dinheiro. A Prefeitura pagará menos do que a metade.
Os cinco lagos - que há tempos não viam água - deverão voltar a embelezar o parque. As melhorias prevêem, ainda, reforma da parte hidráulica e dos sanitários, recuperação de gradis, arruamento interno, lavagem dos bancos e manutenção do mosaico português em volta do parque.
Só o coreto, deteriorado, e a instalação a seu lado de uma choperia, ficarão para depois, segundo Ohtake. A idéia é que a empresa que venha a arrendar o estabelecimento pague as reformas - outros R$ 500 mil. A Praça Buenos Aires, em Higienópolis, na verdade um parque de 86 anos, será a próxima: sua abertura está prevista para 18 de setembro. Ohtake admite que o programa de reforma das áreas verdes está lento, por falta de verbas.
Estação - Inaugurado em 1798, por um aviso régio do capitão português Antônio de Melo Castro e Mendonça, o Parque da Luz só foi entregue à população em 1825. Foi o primeiro jardim botânico, viveiro, zoológico e área de lazer da cidade. Virou passeio público com a chegada da ferrovia, em 1870. A inauguração da Estação da Luz representou um grande momento para o parque, que tem 113.400 metros quadrados e passou a ser local de festas e eventos musicais. Nos dez anos que se seguiram a 1890, a população de São Paulo triplicava. O parque acompanhou a efervescência.
Começou a decair no fim dos anos 20, com a crise do café. Em 1930, virou apenas mais um parque. A decadência do início do século não se compara à que ocorreu a partir de 1980, com assaltos, violência sexual, mendigos, prostitutas. Em 1981, foi tombado pelo Condephaat. Três anos depois, passou a ter apenas uma entrada para coibir a violência. Não adiantou.
O parque já passou por diversas tentativas de revitalização, que não deram em nada. Em 1972, na gestão de Figueiredo Ferraz, até uma mini-São Paulo do início do século foi construída. Em 1998, a Prefeitura anunciou que pretendia revitalizar a área, mas foi feita apenas uma grande faxina.

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