Marcos Zanatta
De Maringá
O Recanto Gralha Azul, um projeto de utilização de fundos de vale implantado em agosto de 1996 no Conjunto Ney Braga, em Maringá, está totalmente abandonado e gera reclamações dos moradores. A área, nas margens do Córrego Maringá, foi urbanizada e recebeu campos de futebol de grama e de areia, lanchonete, sanitários, churrasqueiras e um parque infantil. ‘‘O lugar é muito bonito, mas também perigoso’’, afirma o aposentado Joaquim Rodrigues da Silva. ‘‘A gente evita passar por aqui porque sempre tem desocupados lá em cima’’, confidencia.
‘‘Lá em cima’’ é a área onde ficava uma lanchonete, sanitários e as churrasqueiras, ao lado de uma reserva de mata nativa. ‘‘Os marginais levaram até a fiação dos banheiros’’, lamenta o pedreiro Márcio José, que mora na frente do recanto. Ele conta que há alguns anos os moradores do Ney Braga e de bairros vizinhos se encontravam na lanchonete todo final de semana, às vezes de noite. ‘‘Agora, todo mundo evita atravessar a ponte sobre o riozinho’’, diz. A ponte liga os campos de futebol e o parque infantil à área de churrasqueiras.
Mas quem mais sente falta do recanto são as crianças. O estudante Maximiliano Martins, 11 anos, conta que vai até o parque infantil porque fica perto da casa onde mora, do outro lado da rua. ‘‘Mas quando aparece gente estranha lá em cima (nas churrasqueiras, a uns 300 metros de distância), a gente se manda’’. Ele critica também a condição de abandono do parque. ‘‘É perigoso brincar nesses brinquedos que estão todos quebrados’’, diz.
Para Bruna Fernandes de Oliveira, 6 anos, o parque só é permitido quando existem adultos por parte. ‘‘Os maconheiros quebraram tudo e até queimaram as árvores perto do riozinho’’. Ela acha que a prefeitura deveria pelo menos plantar mais árvores no recanto. ‘‘Porque não custa nada e cresce sozinho’’. O primo dela, Ancelmo José Fernandes, 8 anos, acha que ‘‘falta segurança’’ no recanto. ‘‘Muita gente ruim fica aqui e a polícia só passa de vez em quando para ver, mas não faz nada’’, acredita.
Uma placa informa que o recanto foi construído durante a permanência do ex-vice-prefeito Mário Hossokawa na administração, em março de 1996. A intenção era, além de oferecer uma área de lazer para moradores da região, criar um parque linear de proteção para o fundo de vale, destinado também à educação ambiental. O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, disse à Folha que o recanto foi reformado duas vezes nos últimos três anos.
Como a área é aberta e extensa, a prefeitura tem dificuldades em manter vigilantes no local. ‘‘Os moradores deveriam zelar mais do espaço que é deles’’, justifica Cardoso. Ele disse que existe um projeto de recuperação de toda a área, que será entregue para as associações de quatro ou cinco bairros próximos. ‘‘As entidades vão, inclusive, receber a lanchonete para tocar’’, prometeu. O projeto inclui ainda a participação das secretarias de Esporte e Cultura, que vão desenvolver atividades com os moradores. ‘‘Falta somente definir alguns detalhes para começarmos a recuperar o local’’.

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