Moscou, 23 (AE-AP) - A Câmara Baixa do Parlamento russo aprovou hoje (23) dois dos 30 projetos que compõem a reforma exigida pelos credores ocidentais para liberar novos recursos e retomar as negociações com o objetivo de reestruturar as dívidas externas do país. A votação das leis que reforçam as normas sobre falências e permitem ao Banco Central emitir títulos deverá criar condições para que a Rússia fixe metas viáveis para firmar um novo acordo de crédito, no valor de US$ 4,5 bilhões, com o Fundo Monetário Internacional antes do segundo semestre.
O primeiro-vice-primeiro-ministro Viktor Khristenko disse hoje, após um encontro com o presidente Boris Yeltsin, que o governo de Moscou pretende obter os US$ 650 milhões relativos à primeira parcela do empréstimo do FMI até o fim de julho. Segundo ele, uma nova missão de técnicos do organismo deverá chegar à capital russa nos próximos dias para avaliar o desempenho da economia do país e decidir se já tem condições de recomendar ao conselho-diretor da entidade a liberação dos recursos.
Para reforçar o otimismo das autoridades russas em relação ao FMI, o primeiro-ministro Serguei Stepashin, disse ontem que dados do Banco Central indicam uma estimativa de inflação em torno de 1,5% em junho, ante os 2,2% verificados em maio.
O ânimo das autoridades russas, porém, pode esbarrar no fato de o Congresso ter rejeitado uma lei que instituia um novo tributo sobre os combustíveis e estar adiando a votação de outros projetos que elevam impostos e ajustam o orçamento. Mais ainda, ambos os textos aprovados hoje precisam ser ratificados pela Câmara Alta do Parlamento. Os credores norte-americanos também estão céticos e pedem que a Rússia pague uma parte, ainda que simbólica da dívida externa como um sinal de boa vontade para obter a rolagem dos créditos relativos à ex-União Soviética.

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