Jerusalém, 01 (AE-AP) - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, sofreu hoje (01) uma séria derrota parlamentar, agravada pelo fato de três partidos de sua coalizão de governo terem contribuído para ela. O Parlamento (a Knesset) aprovou por 60 votos a 53, em primeira leitura, um projeto de lei estipulando que qualquer acordo de paz a ser celebrado com a Síria, que implique em retirada de tropas das Colinas do Golan, ocupadas por Israel em 1967, terá de ser endossado em referendo pela maioria absoluta dos eleitores israelenses aptos a votar.
O texto ainda terá de passar por mais duas votações antes de tornar-se lei. Como a média de comparecimento às urnas em Israel é elevada - cerca de 80% -, isso significa que pelo menos 65% dos votantes teriam de ratificar o tratado, algo extremamente difícil porque a devolução de territórios é questão polêmica no país.
No Golan vivem atualmente cerca de 20 mil colonos judeus, que têm feito campanha contra a retirada das tropas. Alguns ministros têm repetido que a derrota no referendo poria fim ao governo de Barak, que chegou ao poder com a promessa de buscar acordos de paz com Síria, Líbano e os palestinos. O governo sírio controla, de fato, o poder no Líbano, onde Israel mantém cerca de 30 mil homens.
O projeto foi apresentado pelo deputado Silvan Shalom, do oposicionista Likud, de direita, e teve o apoio dos partidos Nacional Religioso, Yisrael B'Aliyah e Shaas, que integram a coalizão governista. Barak tentou diminuir a importância do revés político prevendo que o texto será derrotado nas próximas leituras. "Nenhum truque parlamentar impedirá a nação de decidir seu futuro pela maioria daqueles que participarem do referendo", afirmou a jornalistas.
Israel e Síria retomaram negociações de paz em dezembro, após cerca de quatro anos de impasse. As conversações foram suspensas em janeiro, depois que os sírios acusaram os israelenses de não estarem sendo sérios na questão da retirada. A aprovação da lei dificultará ainda mais o diálogo. Barak espera que a Síria pressione o grupo guerrilheiro libanês Hezbollah, que só este ano matou 7 soldados israelenses na zona de ocupação no sul do Líbano.
Ainda hoje, um ataque do Hezbollah causou a morte de cinco membros do Exército do Sul do Líbano, milícia pró-Israel, e um civil.