Bruxelas, 30 (AE-AP) - Funcionários do Departamento de Estado americano negaram hoje (30) perante o Parlamento Europeu alegações de que governos e empresas européias estão sendo espionados pela rede Echelon, dirigida pelos EUA e Reino Unido o que levou os parlamentares europeus a adiar para abril a decisão sobre a abertura de um inquérito para investigar as atividades da suposta organização de espionagem econômica.
Até lá, eles esperam obter mais informações e arregimentar os 626 membros do Parlamento para uma votação maciça sobre o tema.
De acordo com um relatório encaminhado à UE no mês passado, a Echelon compreende um serviço de rastreamento e interceptação de "bilhões de mensagens por hora", incluindo chamadas telefônicas, transmissões por fax ou e.mail. Isto seria feito através de suas estações distribuídas por todo o globo.
Segundo o autor do informe, o jornalista escocês Duncan Campbell, as informações obtidas pela Echelon beneficiaram empresas americanas em concorrências com empresas européias o que deixou muitos europeus indignados. Já em 1998 um outro relatório encaminhado ao Parlamento Europeu alertou que empresas de países da UE sofreram prejuízos de bilhões de dólares devido à espionagem industrial e comercial.
O Reino Unido, suposto parceiro dos EUA na rede, foi igualmente convocado pelo Parlamento Europeu a dar explicações. Porém, seu representante em Bruxelas, Stephen Wall, eximiu-se alegando ser uma norma de seu governo, e de muitos outros, "evitar comentários sobre supostas atividades de interceptação ainda quando infundadas". Segundo Wall, o serviço de espionagem britânico, o chamado Gchq, respeita a Convenção Européia de Direitos Humanos e tem por objetivo "defender a segurança nacional, proteger o bem-estar econômico do país e prevenir e combater a criminalidade".
Enquanto alguns parlamentares já partiam para o ataque, acusando a Echelon como uma séria invasão de privacidade, o Conselho Europeu de ministros afirmava não haver evidência da existência da rede. Por sua vez, o comissário Erkki Liikanen, encarregado do assunto, defendeu o adiamento da discussão sobre o tema para abril uma vez que, por enquanto, se alguma empresa européia suspeita de ter perdido negócios por causa de espionagem, nenhuma procurou ainda a Comissão Européia para queixar-se a este respeito.

mockup