Madri, 15 (AE-ANSA) - O parlamento espanhol condenou hoje (15), pela primeira vez, "o golpe fascista militar" que desencandeou a guerra civil em 1936 e culminou com a ditadura de 40 anos de Francisco Franco.
Sessenta anos depois, o debate sobre a condenação da guerra incendiou os ânimos dos deputados, em especial os integrantes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que apresentou a proposta, e o governista Partido Popular (PP, de centro-direita), que se absteve.
O porta-voz do grupo nacionalista catalão Convergencia i Unio, Ignasi Guardans, afirmou que "parece mentira que em 1999 não sejamos capazes de alcançar um texto unitário sobre o que ocorreu naquela época".
O promotor da iniciativa, o socialista Jesús Caldera, argumentou que "as democracias não podem assentar seus pilares sobre o esquecimento".
Depois da morte em 1975 de Franco, que faleceu depois de longa enfermidade, foi instaurada uma monarquia parlamentar - coroando o rei Juan Carlos - sem que fosse feita uma profunda revisão do passado pela sociedade espanhola, segundo numerosos analistas políticos locais.
O texto aprovado diz que "a Comissão de Assuntos Exteriores do Congresso de Deputados da Espanha condena e deplora o levante militar contra a legalidade constituída, encarnada nas instituições políticas que representavam a II República Espanhola".
O PP, do primeiro-ministro José Maria Aznar, que ficou isolado no Congresso, havia proposto que a guerra civil fosse classificada de "um enfrentamento fraticida na qual uma geração de espanhóis se imolou em uma prova suprema de irracionalidade e ódio".
A proposta do PP, derrotada por 22 a 18 votos, foi apresentada por José Maria Robles Fraga, sobrinho do ministro franquista Manuel Fraga.
Robles Fraga considerou que representa "uma simplificação e uma redução histórica" afirmar que o levante militar de 1936 tenha sido a única causa da guerra civil.
O deputado do PP criticou a falta de condenação ao levante militar promovido por forças da esquerda contra a República em 1934.
O socialista Caldera insistiu que a iniciativa de condenação não foi ditada pelo "rancor", mas sim pela necessidade de se aprovar uma declaração de "altíssimo valor emocional e simbólico".

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