Jerusalém, 08 (AE-AP) - O Parlamento de Israel aprovou hoje (08) a nova proposta de paz do primeiro-ministro Ehud Barak, autorizando a primeira libertação de presos palestinos de prisões israelenses.
Um comitê israelense já aprovou uma lista com 200 prisioneiros palestinos que serão libertados formalmente amanhã (09), um dia antes do prazo final. A soltura incluirá 28 cidadãos de outros países árabes, além de 150 prisioneiros que serão libertados em 8 de outubro.
Conclamando os deputados a entenderem a ambição palestina por soberania e fazer "sacrifícios dolorosos" pela paz, Barak disse que a decisão de ceder parte da Cisjordânia - parte da terra bíblica de Israel - não foi tomada facilmente e que ele entende daqueles que apostam no acordo.
"Reconheço que o processo de paz envolve uma despedida dolorosa para a pátria", disse Barak, em um primeiro reconhecimento explícito de que as terras que serão cedidas aos palestinos não se reverterão para Israel. "Nossos valores de igualdade, liberdade de escolha e democracia... entram em contradição quando controlamos milhões de palestinos contra a sua vontade", disse ele.
O premier urgiu também seus companheiros para que abandonem as atitudes protetoras que uma vez caracterizaram a relação de Israel com a Autoridade Palestina. "Trataremos os palestinos como parceiros iguais", afirmou Barak. "Nós os trataremos com dignidade e sem arrogância".
Por outro lado, o líder da oposição conservadora, Ariel Sharon, advertiu que o acordo, sob o qual Israel entregará mais de 11% da Cisjordânia em três fases até 20 de janeiro, coloca em perigo a segurança do estado judeu. "É uma porta para a matança infinita", disse ele.
O acordo de paz foi aprovado pelo Knesset por 54 votos a 23, com duas abstenções. A aprovação, entretanto, foi simbólica, pois com o sinal verde apenas de seu gabinete Barak poderia por em prática o acordo. Na manhã de hoje, o gabinete já havia aprovado a primeira fase do acordo por 17 a 1, com uma abstenção.
Ahmed Tibi, legislador árabe-israelense e ex-conselheiro do líder palestino, Yasser Arafat, disse que a retirada é um "um marco no edifício de um Estado palestino".

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