Parlamento alemão aprova monumento a vítimas judaicas do holocausto
Berlim, 25 (AE-AP) - O Parlamento alemão aprovou nesta sexta-feira (25) a construção de um memorial às vítimas judaicas do Holocausto no antigo coração de Berlim, entre a Porta de Brandenburgo e a Praça de Potsdam, meio século depois do nascimento da República Federal da Alemanha.
A câmara baixa do parlamento (Bundestag) votou a decisão por ampla maioria: dos 559 deputados presentes, 439 votaram a favor, 115 contra e cinco se abstiveram.
Em relação aos projetos de construção, 314 parlamentares votaram a favor do plano apresentado pelo arquiteto norte-americano Peter Eisenmann e 209 preferiram o projeto do teólogo protestante alemão Richard Schroeder.
O projeto de Eisenmann prevê a construção de uma espécie de "labirinto" com 2.700 monumentos de cimento com uma altura entre três e quatro metros cada. Segundo o arquiteto, os monumentos cobrirão uma área de 20.000 metros quadrados, o dobro de um estádio de futebol, e deverão dar a impressão de um campo de trigo com as espigas ao vento.
Com uma decisão que provavelmente gerará novas polêmicas, os parlamentares alemães decidiram também que o monumento de Berlim será erguido para recordar exclusivamente os judeus da Europa que morreram durante o regime nazista, como queria a comunidade judaica.
Ficam excluídos da comemoração os ciganos, os homossexuais e os opositores do regime nazista.
Mesmo entre os judeus alemães, havia controvérsias após a votação. Enquanto Michel Friedman defendia a decisão de dedicar o memorial apenas para os judeus, outros membros do Conselho Central de Judeus da Alemanha desejavam o oposto.
Salomon Korn disse que o parlamento perdeu "a grande chance histórica" de reconhecer todos os grupos de vítimas dos nazistas. Ele disse a um jornal de Berlim que um monumento em homenagem apenas às vítimas judaicas criaria a impressão de algumas vítimas foram mais importantes que outras.





