Parlamentares retomarão pressão por aumento salarial2/Mar, 18:27 Por Gilse Guedes Brasília, 02 (AE) - Depois do anúncio de que o teto salarial do funcionalismo público será de R$ 11,5 mil, parlamentares voltarão a pressionar pela elevação dos próprios salários. Essa é a avaliação de deputados e senadores da base governista e da oposição após o acordo fechado hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O vice-líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), admitiu que o movimento pelo aumento dos salários dos parlamentares deve ser retomado em razão da defasagem salarial dos deputados. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ser contrário ao reajuste dos salários de senadores e deputados, que está em R$ 8 mil, mas que a decisão dele depende da posição da maioria. "Não posso dizer que sou contra porque sou presidente do Senado e vou fazer o que os meus colegas quiserem", admitiu ACM, depois de deixar o Palácio do Planalto, onde participou do encontro com Fernando Henrique e com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso. Aleluia alertou para a necessidade de os deputados terem de avaliar a repercussão negativa de uma decisão para elevar os próprios vencimentos. "Não podemos ser execrados como o que ocorreu com os juízes porque, ao contrário deles, o deputado depende da imagem e do apoio da população", disse Aleluia, referindo-se à liminar concedida pelo STF que reajustou os salários de juízes federais e trabalhistas a título de auxílio-moradia. "Temos de ter cuidado com o que fazemos", completou. Segundo o senador José Fogaça (PMDB-RS), haverá pressão no Senado, mas o movimento será mais forte na Câmara. "Isso, sem dúvida, vai ocorrer", declarou Fogaça. Ele ressaltou que, no momento, seria um erro a elevação dos salários no Senado e na Câmara de forma a equipará-los ao teto, por causa da conjuntura econômica. "Mas, amanhã, deputados e senadores poderão chegar ao teto." O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que era partidário da proposta do teto de R$ 12,7 mil, apresentou uma emenda em 1999 à proposta de emenda constitucional (PEC) do subteto para que cada poder fixe o próprio limite salarial. Essa discussão deve ser retomada por ele, mesmo depois do acordo em que prevê um teto de R$ 11,5 mil para os três Poderes. Na avaliação do parlamentar, os salários dos deputados estão defasados e precisam ser corrigidos. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também acredita que o movimento de parlamentares para a equiparação de salários ao teto de R$ 11,5 mil voltará a pautar os assuntos no Congresso. "Sendo realista, vai haver pressão", disse o senador, depois de ser informado sobre o resultado do encontro.