Caracas, 31 (AE-AP) - A crise constitucional venezuelana aprofundou-se nesta terça-feira (31) quando parlamentares opositores prometeram desafiar uma decisão tomada por partidários do presidente Hugo Chávez de efetivamente fechar o Congresso desta nação sul- americana.
Os congressistas prometeram encontrar uma forma de reunir o parlamento.
Partidários de Chávez disseram que um novo Congresso será estabelecido nos próximos meses. Mas, por enquanto, todo o poder na Venezuela parece estar concentrado nas mãos do presidente, seus generais e uma Assembléia Contituinte amplamente controlada por Chávez.
"Este governo quer apenas ter um parlamento obediente e isso não será aceito pelo Congresso da Venezuela", dizia comunicado dos partidos de oposição um dia depois de a Assembléia Constituinte ter privado o Congresso de exercer as poucas funções que lhe restaram.
O impasse na Venezuela contrapõe um Congresso enfraquecido contra uma assembléia eleita em julho para escrever uma nova constituição - mas que desde então se auto-declarou como o poder supremo do país.
Chávez, um ex-líder golpista cujos correligionários detêm 92% das 131 cadeiras da Assembléia, diz que tudo isto faz parte de sua "revolução social" que procura acabar com décadas de corrupção e desgovernos.
No Panamá nesta terça-feira para a posse da presidente eleita Mireya Moscoso, Chávez afirmou que "a Assembléia está tomando decisões que não agradam às classes políticas tradicionais que destruíram a Venezuela nos últimos 40 anos".
Mas críticos dizem que decisão da Constituinte de assumir os poderes do Congresso - e até de governos estaduais e municipais - equivale a um golpe de Estado.
Membros do Congresso, controlado pela oposição, reuniram-se nesta terça-feira para decidir onde e quando se reuniriam como um corpo - uma atitude impossibilitada pela Assembléia na semana passada após a declaração de "emergência legislativa" na Venezuela.
Um a um, parlamentares opositores apareceram na televisão para denunciar os ataques da Assembléia contra o Congresso, e prometeram fazer o que for preciso para manter a instituição viva.
O senador oposicionista Timoteo Zambrano disse à Associated Press que os congressistas não anunciarão onde a legislatura se reunirá até poucos antes disto ocorrer.
A iniciativa, segundo ele, é para impedir a violência que explodiu na semana passada quando manifestantes contra e a favor de Chávez se enfrentaram nas ruas enquanto os parlamentares tentavam retomar suas cadeiras da Assembléia Lesgilativa escalando a cerca do Congresso.
A Polícia e a Guarda Nacional impediram a entrada dos parlamentares - ação denunciada pelos partidos de oposição nesta terça-feira como "repressão".
Até agora, a oposição encontrou relativamente pouco apoio entre os 23 milhões de habitantes da Venezuela. Segundo pesquisas, cerca de 70% deles apóiam Chávez.
O país é um dos três maiores exportadores de petróleo do mundo. Apesar disso, metade da população vive em estado de pobreza.
Nesta terça-feira correligionários de Chávez reuniram-se em frente ao capitólio para exigir a dissolução formal do Congresso. A legislatura permanece tecnicamente viva, mas ontem a Assembléia votou por privá-la de todos os seus poderes.
"O Congresso deveria desaparecer porque esteve nas mãos de criminosos durante 40 anos", disse Angel Paraperez, uma professora de 58 anos, acrescentando que Chávez "é a esperança da América Latina".
Chávez, um ex-paramilitar de 45 anos que liderou um fracassado golpe de Estado em 1992, diz que instituições novas e mais democráticas emergirão do trabalho da Assembléia, que deve ser concluído em seis meses.
Mas os ataques contra as antigas instituições - assim como mobilizações para aumentar a participação dos militares na sociedade venezuelana - fez soar o alarme em todo o mundo, levando os Estados Unidos a emitirem um comunicado na segunda-feira expressando preocupação. Ainda assim, as pessoas com os direitos civis cassados na América Latina vêem Chávez como uma espécie de redentor.
Camponeses no território controlado por rebeldes na Colômbia têm pôsteres do presidente venezuelano em suas paredes e falam sobre ele de maneira inflamada.

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