Só 13 parlamentares ouviram ontem o presidente do Pontifício Conselho para a Família do Vaticano, cardeal Alfonso Lopez Trujillo, condenar o aborto e as práticas contraceptivas artificiais e pregar a manutenção da família como sustentáculo da sociedade. O cardeal Trujillo é um dos dez candidatos à sucessão do papa João Paulo 2º.
Dos 13 parlamentares que assistiram à palestra de abertura do seminário ‘‘A Responsabilidade do Legislativo no 3º Milênio’’, sete ficaram até o fim.
Os deputados católicos conservadores, contrários à aprovação do projeto de lei de Eduardo Jorge (PT-SP) e Sandra Starling (PT-MG), que regulamenta o Código Penal e obriga o setor de saúde pública a fazer abortos em casos de estupro ou de risco de vida para a mãe, tentaram fazer da presença de Trujillo um grande ato em favor da rejeição da proposta. Não conseguiram porque o cardeal preferiu não se referir especificamente ao Brasil, e sim ao mundo.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Pedro Wilson, que ouviu Trujillo por cerca de 30 minutos, disse que entrou na sala por curiosidade. ‘‘Para ver a manifestação do supra-sumo do reacionarismo’’, comentou ele.

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