Parlamentares ganham verba de enxoval como ajuda de custo
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Ricarrdo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 04 (AE) - Os 27 deputados estaduais de Alagoas e os 21 vereadores de Maceió receberam, no fim de fevereiro, uma ajuda de custo para comprar roupas, chamada de "verba de enxoval", que deixou a população alagoana indignada. Os deputados receberam R$ 6 mil de "verba de enxoval" e os vereadores R$ 4.500,00. Teve vereador que, eleito deputado, recebeu a mesma ajuda da Câmara e da Assembléia.
Além do salário de R$ 6 mil e da verba de gabinete de R$ 13 mil, cada deputado recebeu R$ 6 mil de "verba de enxoval". A deputada Lucila Toledo (PFL) chegou a ser xingada esta semana, num supermercado, por uma mulher inconformada com os R$ 25 mil que cada parlamentar estadual recebeu no início dos trabalhos legislativos.
As pressões da população contra o esbanjamento do dinheiro público na Câmara e na Assembléia começaram surtir efeito. Deputados e vereadores de partidos de esquerda falam em devolver o dinheiro ou doar a "verba do enxoval" às instituições de caridade. O deputado Paulo Fernando dos Santos (PT) prometeu devolver a "verba de enxoval" liberada pela Câmara.
O primeiro secretário da Assembléia, Arthur Lira (PSDB), disse que a "verba de enxoval" é amparada por lei e deve ser liberada no início de cada legislatura. "É uma ajuda de custo para paletós e outras vestimentas, mas cada deputado faz da verba o que bem quer", afirmou Lira. Segundo ele, não há necessidade de prestação de contas desse dinheiro. Para o governador Ronaldo Lessa (PSB), o governo "sofre", ao repassar por mês R$ 4,5 milhões para o Legislativo. "A Assembléia de Alagoas é uma das mais caras do País; infelizmente, como o Legislativo é um poder independente, não podemos fazer nada para coibir abusos como esses", afirmou Lessa, que defende a redução do duodécimo da Assembléia.
"Se o Legislativo e o Judiciário, juntamente com o Tribunal de Contas do Estrado (TCE), não baixarem seus duodécimos, vou adotar uma política de resistência e cortar os repasses a esses poderes", afirmou Lessa. Ele quer reduzir os duodécimos do Judiciário, de R$ 5 milhões para R$ 4,5 milhões; do Legislativo, de R$ 4,5 milhões para R$ 2,5 milhões, e do Tribunal de Contas, de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão. "É um absurdo a Assembléia e o TCE gastarem juntos 7% do orçamento do Estado", protestou.


