Brasília,6 (AE)- A partir de hoje, os parlamentares começarão a fazer o balanço sobre quem perderá mais no confronto entre os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do PMDB, senador Jader Barbalho (PA). A pergunta mais imediata é se Jader conseguiu fortalecer-se no seu caminho para a presidência do Senado ou se foi atingido seriamente em seus planos. Os seus defensores acham que ele sai fortalecido. Por este raciocínio, em primeiro lugar o senador paraense teria deixado o PFL em uma situação delicada, com duas frentes de batalha a administrar: as eleições da Câmara e as do Senado.
Embora o PFL não queira que sejam eleitos nem o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), nem Jáder, no Senado, o partido estaria sem condições de vetar os dois candidatos, após o confronto de ontem. Um acordo entre PMDB e PSDB, segundo este raciocínio, conseguiria isolar o PFL. O desgaste sofrido por Jader com o confronto poderia ser superado até o fim do ano, acreditam ainda os aliados do senador peemedebista. Esta, inclusive, teria sido uma das razões que teriam levado Jáder a antecipar o confronto com Antonio Carlos Magalhães. Se o ápice das acusações ficasse para o fim do ano, a recuperação de Jáder seria mais difícil. Mas este roteiro é totalmente contrário ao cenário previsto pelos aliados do senador Antônio Carlos Magalhães.
O senador baiano tem declarado que não deixará as denúncias serem arquivadas, apesar do empenho que deverá haver dos aliados governistas com este objetivo. O senador desdenhou a carta de Jader, que teria colocado seu sigilo bancário à disposição. Ao saber da iniciativa do adversário, Magalhães disse que a quebra só ocorre com a autorização aos gerentes dos bancos, como ele (Magalhães) fez.
Mais acusações: ACM já estaria contando com uma nova leva de acusações contra o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), a exemplo do que ocorreu com a CPI do Judiciário, em que a cada dia surgiam novos documentos contra os acusados. Magalhães tem lembrado inclusive que o ex-deputado Carlos Lacerda muitas vezes fazia uma denúncia sem nenhuma prova material, e, após seu discurso, os documentos começavam a chegar até ele. Com essa tática, os aliados do senador acreditam que Jáder não terá tempo para recuperar-se, já que os ataques serão permanentes.
Os documentos entregues por Jader Barbalho e por Antonio Carlos Magalhães serão analisados hoje pela Mesa Diretora do Senado, que se reunirá sem a presença do seu presidente. No encontro, que será presidido pelo vice-presidente do Senado, Geraldo Melo (PSDB-RN), serão discutidos os encamin hamentos a serem dados ao caso. Magalhães quer que o Conselho de Ética do Senado aprecie as denúncias. O PPS quer que a Procuradoria Geral da República também as receba. Além desta reunião, está marcado para hoje, na comissão especial mista que discute o reajuste do salário mínimo, um depoimento do ministro da Previdência social, Waldeck Ornélas.
Foram declarações de Ornélas contra o reajuste do mínimo para R$ 180,00 - defendido por Magalhães - que serviram de pretexto para Barbalho iniciar na semana passada a ofensiva contra o presidente do Senado. Na Câmara, haverá nova tentativa de continuar a votação da reforma do Judiciário, mas sem grandes perspectivas de sucesso, já que nas quintas-feiras começa o esvaziamento do Congresso.

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