Parlamentares encurralam Gerardo e recriminam seu comportamento
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Neri Vitor Eich 
Brasília, 04 (AE) - O deputado estadual maranhense José Gerardo de Abreu foi encurralado por parlamentares da CPI do Narcotráfico, na Câmara, e recriminado pelo seu comportamento durante o depoimento que prestou hoje à noite sobre as denúncias de que teria mandado matar nove pessoas em seu Estado.
Gerardo de Abreu negou a maioria das acusações, recusou-se a responder a muitas e foi evasivo em outras, além de reclamar da veemência dos inquisidores.
O momento mais constrangedor para o depoente foi o da intervenção do deputado Elber Silva (PDT-RJ), que afirmou não acreditar em uma única das suas respostas. Silva começou dizendo que o depoente, embora deputado estadual, não merecia ser chamado de "excelentíssimo" e que seu depoimento estava sendo "contraditadíssimo", "mentirosíssimo" e "contradíssimo".
O deputado afirmou não acreditar em uma única das respostas José Gerardo, lembrando-lhe que, quando os integrantes da CPI estiveram em São Luís (MA) investigando o caso, houve concentração de populares, na rua, gritando o nome do parlamentar e pedindo sua prisão.
O presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), também repreendeu duramente José Gerardo pela sua postura diante das perguntas. Malta o censurou por estar se pronunciando em momentos nos quais ninguém lhe fazia pergunta e por ter levantado a voz contra um dos deputados da comissão.
Malta instou José Gerado a só se pronunciar quando fosse interrogado e, como o deputado começasse a ensaiar uma resposta, interrompeu-o: "Neste momento, por exemplo, o senhor nada tem que falar, pois não está sendo inquirido."
Às 22h50, José Gerado continuava prestando depoimento, e a expectativa, na CPI, era de que o interrogatório prosseguisse por pelo menos mais uma hora.


