Rio, 07 (AE) - A formação da chamada "Terceira Via" no PT, numa alusão irônica à proposta social-democrata do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, está sendo discutida por parlamentares petistas, embora num modelo diferente da moderação dos trabalhistas do Reino Unido, mais de quatro meses antes do 2º Congresso Nacional do partido. Deputados federais da legenda, entre eles o secretário-geral do partido, Arlindo Chinaglia (SP), preparam-se para lançar um manifesto em que pregarão menos briga e mais trabalho político para romper o combate Articulação versus esquerda.
"Precisamos formar um núcleo dirigente com autoridade, estável", disse Chinaglia, recordando que, no Cncontro Nacional de 1997, grupos petistas de São Paulo, Rio, Pernambuco e Bahia fizeram um movimento para criar uma terceira alternativa. Segundo o deputado, o novo agrupamento lançará chapa própria para disputar a direção petista, mas ainda não discutiu se terá candidato a presidente. Alguns integrantes defendem o lançamento
pelo movimento, de uma candidatura própria ao cargo. O grupo tenta atrair o ex-deputado Tarso Genro.
Integrantes do grupo, entre eles Chinaglia e os deputados Fernando Ferro (PE) e Carlos Santana (RJ), reuniram-se no dia 30 num restaurante em Brasília para aprofundar a discussão política das propostas. "Tem de haver uma alternativa de centro (na legenda)", disse Santana. Líder de um grupo que domina um terço do PT fluminense, o parlamentar começou a discussão no Rio, onde o partido integra o governo do governador pedetista Anthony Garotinho, mas, após a intervenção nacional de 1998, está dilacerado por lutas internas que incluem filiações em massa e criação de núcleos fantasma.
"O PT está sem projeto para o Rio", disse o deputado, que tenta formar movimento semelhante no Estado. "Temos o vice-prefeito de São Gonçalo, mas ninguém sabe disso, e o mesmo acontece na prefeitura de Volta Redonda." Santana queixou-se que o PT "está sem interlocução no governo Garotinho", onde a maior parte dos petistas é ligada à Articulação. O grupo deverá reunir-se na próxima semana novamente em Brasília para, provavelmente, fechar o manifesto (a tese para o congresso deverá estar inscrita até o dia 25). Depois, haverá lançamentos nos Estados, visando à eleição de delegados. Atualmente, a maioria do Diretório Nacional do PT é formada por integrantes dos grupos Articulação e Democracia Radical, cuja atuação, de perfil moderado, é contestada pelos petistas da esquerda do partido.

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