Por Andréa Portella
São Paulo, 05 (AE) - A maior parte dos vereadores da Câmara Municipal de São Paulo preferiu hoje não tomar uma posição sobre a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou de uma Comissão Processante para analisar as denúncias envolvendo a vereadora Maria Helena (PL). Oficialmente, todos aguardam uma renião - marcada para amanhã (06) - entre o secretário de Segurança Pública, Marco Viniciu Petrelluzzi, e a mesa diretora da Câmara, da qual sairiam os subsídios dos quais os parlamentares precisam para se decidir. Nos bastidores, porém, oposição e situação começaram a travar uma nova batalha.
A oposição já pensa em pedir a reabertura da CPI e retomar investigações que ficaram pendentes. A situação deve pedir a abertura de uma Comissão Processante, considerada pelos vereadores governistas como uma saída mais "rápida". O presidente da Casa, Armando Mellão (sem partido) disse que os vereadores estão confusos sobre as informações divulgadas pela imprensa envolvendo a vereadora Maria Helena e o vereador Salim Curiati Júnior (PPB). "Tudo isso é lamentável e espantoso", afirmou. Ele disse estar aguardando os dados que serão solicitados amanhã à Secretaria de Segurança Pública para anlisar qual será a medida cabível. "É muito prematuro, muito cedo, para dizer se vamos abrir uma CPI ou uma Comissão Processante". Oposição - Hoje, a bancada governista esteve reunida antes da abertura dos trabalhos no plenário e os vereadores da oposição chegaram a comentar que a situação poderia colocar em votação hoje mesmo o pedido de abertura de uma Comissão Processante, o que não se confirmou. Embora siga o discurso oficial, a oposição já tenta articular a reabertura da CPI. "Nós já autorizamos nossa líder (vereadora Aldaíza Sposati, líder do PT) a costurar um acordo com toda a oposição", afirmou hoje o vereador Devanir Ribeiro (PT).
Aldaíza diz que o ideal seria a abertura das duas comissões e admite que seu partido vai tentar "ressucitar" a CPI, mas acha que a Casa, hoje, não tem clima para votar um pedido como esse. "Esse clima precisaria ser construído". O presidente da CPI dos Fiscais, vereador José Eduardo Martins Cardozo, defende a CPI, mas sabe das resistências a esse procedimento. "Alguns vereadores têm receio de que a CPI possa alargar o seu campo e atingir outros parlamentares", disse. "Há uma resistência clara sendo comandada pelo prefeito Celso Pitta".
Entre os vereadores da situação, o discurso oficial é permeado por explicações de que a Comissão Processante traria resultados mais rápidos e evitaria a formação de um palanque político. "Todas as denúncias que vierem a plenário podem ser analisada por uma Comissão Processante; não há necessidade de formar um palanque político", avalia a vereadora Myryam Athie (sem partido). "A Comissão processante é muito mais rápida e muito mais eficiente", disse Miguel Colasuonno (PPB). O parlamentar chegou a afirmar que poderá pedir a abertura da comissão na próxima terça-feira, caso já tenha os documentos.
O líder do PPB, vereador Paulo Frange, concorda com a "eficácia" da Comissão Processante e demonstra que a bancada é mais favorável a esse procedimento. Sem descartar a realização de uma nova CPI, Frange diz só ter a certeza de que a bancada não aceitará outra comissão presidida pelo PT. "Isso já é consenso". Diante da possibilidade de os vereadores governistas apresentarem um pedido de abertura de comissão na terça-feira, a líder do PT diz que seu partido estará preparado. "A oposição já está pronta".

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