Parlamentares defendem nepotismo
Parlamentares defendem nepotismo15/Mar, 21:03 Por Liege Albuquerque e Gilse Guedes Brasília, 15 (AE) - A defesa da contratação de parentes foi explícita entre os parlamentares. Apesar de terem faltado apenas 22 votos para que o texto da relatora, deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), fosse aprovado, proibindo o nepotismo nos Três Podres, houve mais deputados defendendo o nepotismo do que atacando. No placar dos partidos, o PT foi o partido que mais votou pela proibição do nepotismo, com 61 votos. O segundo partido foi o PSDB, com 59 votos. "Eu votei para manter o texto da relatora por convicção, mas o PSDB tinha de ter liberado a bancada porque estamos em bloco com o PTB", contou o deputado Jutahy Magalhães (BA). O corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), é um defensor da queda do texto da relatora. "Ela só queria aparecer porque quer ser prefeita de São Paulo, porque o texto dela era um farisaísmo, uma hipocrisia", disse. Cavalcanti emprega um filho em seu gabinete. "Continuar com o nepotismo liberado é um retrocesso ao tempo em que o Brasil era uma monarquia, que família é que vai passando a coroa", reclamou o líder do PT, deputado Aloizio Mercadante (PT-SP). O senador Gilvan Borges (PMDB-AP), que contratou sua mãe e esposa para assessorá-lo, disse que a proposta contra a prática de nepotismo é "demagógica e inconstitucional". "Deveriam agora tentar acabar com os cargos em comissão então?", questionou. "É crime ser parente de A, B ou C?". "Uma dorme comigo e outra me pariu", afirmou, frase sempre usada por Borges para defender a contração de sua mãe e mulher, que trabalham há 16 anos com ele. Já a senadora Emília Fernandes (PDT-RS) sugeriu que deve haver critério na contratação de parentes. "Tem de ser de acordo com a competência". "Há casos de nepotismos e nepotismos", avaliou. Ela acredita que se tem feito um "oba-oba" sobre o assunto tratando o caso com demagogia. Emília contou que trabalhou durante vários anos com um filho, que atualmente mora no Rio Grande do Sul. "Ele começou comigo em 1982, quando era vereadora, e era o primeiro a chegar e o último a sair."





