Parlamentares de 20 países querem introduzir estudo da desertificação
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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Liana John 
Recife, 23 (AE) - Os parlamentares de 20 países, reunidos em Recife na Conferência Interparlamentar da Convenção de Combate à Desertificação, nos últimos dois dias, querem incluir a desertificação e a erosão como temas no ensino primário e sugerem empenho redobrado dos deputados para ratificação da convenção em seus países. Estas são duas das sugestões incluídas no documento que divulgaram hoje.
Os deputados sugerem, ainda, a criação de mecanismos para a conversão das dívidas externas em investimentos na educação ambiental, com foco no combate à desertificação, tendo em conta que a degradação das terras e os processos de perda de fertilidade, água e biodiversidade afetam profundamente a economia, originando migrações. As populações que se deslocam de suas terras devido a processos de desertificação são estimadas em 25 milhões de pessoas, em todo o mundo, e já são chamadas, inclusive, de "refugiados ambientais".
Outras medidas que os deputados prometem colocar em discussão em seus países incluem o manejo integrado de bacias hidrográficas, a promoção de pesquisas sobre as causas e consequências da desertificação, transferência e adaptação de tecnologias e uso de biotecnologia para gerar plantas e árvores resistentes à seca. "Temos de ter em conta que não somos os proprietários dos recursos hídricos, mas seus administradores, mesmo enquanto países, pois a água é um bem comum", destacou Jorge Wertheim, coordenador da Uniâo parlamentar na Unesco.
Foi ainda instituído um Fórum de Alto Nível de Membros do Parlamento, para disseminar e intercambiar informações sobre iniciativas nacionais e monitorar a implementação das medidas sugeridas. Sobretudo as que se referem a mecanismos de obtenção de recursos.


