Parlamentares critica Mello por "interferência" na CPI
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 01 (AE) - A liminar do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, autorizando a manifestação de advogado em depoimento na CPI do Narcotráfico, mobilizou hoje a cúpula dos partidos. Líderes das bancadas aliadas ao governo e da oposição uniram-se no plenário da Câmara para protestar contra a considerada interferência do Judiciário no Legislativo. Nem mesmo as explicações do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), acalmaram os parlamentares.
"Com todo o respeito ao ministro Celso de Mello, é um absurdo", afirmou o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP). Com a liminar nas mãos, ele leu o trecho em que Mello trata do direito do advogado de falar "sentado ou em pé perante a CPI quando se revelar necessário intervir, verbalmente
para esclarecer equívocos ou dúvida em relação a fatos, documentos ou afirmações" que digam respeito à investigação, "desde que o uso da palavra se faça pela ordem, observadas as normas regimentais disciplinam os trabalhos da CPI".
Para Genoíno, Mello igualou a comissão de inquérito a um tribunal. "A CPI é para investigar, não condena ninguém", afirmou Genoíno. "Se o advogado puder usar a palavra, ele vai poder apresentar questão de ordem para esclarecer documento, dar respostas em lugar do depoente", acredita Genoíno. "Não haveria como continuar o trabalho", disse ele.
O protesto do PT teve o apoio do líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE) e pelo líder do PSDB, Aécio Neves. O presidente da Câmara explicou que, em conversas telefônicas com o Celso de Mello, teria ficado claro que a liminar não tem a abrangência imaginada.
Segundo Temer, o ministro Celso Mello explicou que o advogado só poderia interferir em casos específicos, quando, por exemplo, a CPI não respeitasse o direito do depoente de permanecer calado. "De qualquer forma, acho que as coisas deveriam ficar um pouco mais claras", observou Inocêncio Oliveira. "Não pode haver dúvidas, para evitar riscos", afirmou.


