Brasília, 05 (AE) - O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apontando a desigualdade no gasto social do País, ganhou o apoio de parlamentares governistas e de oposição, na Câmara dos Deputados. Para o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), os recursos públicos acabam subsidiando o atendimento a pacientes do setor privado, em detrimento aos mais pobres. Presidente da CPI que estuda formas de ampliar o acesso a remédios para cerca de 30 milhões de pessoas, o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), diz que o governo precisa investir mais na área social.
O secretário de gestão e investimentos do Ministério da Saúde, Geraldo Biasoto, discorda do relatório. "É uma bobagem"
disse ele. Biasoto acredita que a "verdade histórica" de que o sistema público atende mais à classe rica e média do Brasil começou a passar por uma transformação na década de 80, com a criação do modelo de assistência universal pública. A partir do Sistema Único de Saúde (SUS), o cidadão deixou de depender da carteira do antigo Inamps para ter atendimento em instituições públicas.
"Hoje, temos programas, como o de saúde da família, que justamente servem para levar o atendimento àqueles que não tem acesso ao hospital", argumentou Biasoto. Ele admite, no entanto
que há casos, como o de transplantes e de alguns procedimentos médicos de alta complexidade, onde o acesso é mais fácil para os que têm maior poder aquisitivo. Críticas - Para Arlindo Chinaglia, o modelo de assistência privada adotado pelo País favorece os mais ricos. Segundo ele, a rede pública acaba absorvendo pacientes de planos de saúde, cujo contrato muitas vezes não prevê a assistência de doenças cujo tratamento é mais caro. "Isso tira o lugar do pobre", diz Chinaglia. "Acaba criando o sistema de fila dupla nos hospitais públicos", conta ele. "Quem tem convênio com plano de saúde entra em uma fila menor, porque é mais vantajoso financeiramente ao hospital receber do plano", afirmou.
O deputado Nelson Marchezan cita a falta de acesso aos remédios como um dos indicadores da falta de equidade social na área de saúde. Lembra, ainda, que a educação para todos é o mais eficiente meio de combater a pobreza, pois coloca os cidadãos em condições de igualdade na luta por emprego e melhoria de vida. Marchezan concorda que o Congresso é submetido à pressão e acaba atendendo aos que têm maior poder. "Aqui, é maior a pressão por parte de quem tem poder", afirmou. "Com isso, às vezes há verbas para construção de hospitais de luxo em locais onde falta o básico, o vermífugo para atender às crianças".

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