Paris e Moscou estudam saída para crise de Kosovo
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Reali Júnior, Corresponte 
Paris,11 (AE) O ministro do Exterior da França, Hubert Védrine, afirmou hoje (11) em Paris que franceses e russos estão estudando uma saída para crise de Kosovo, lembrando que no momento em que a fase militar estiver encerrada, a participação da diplomacia russa para a conclusão de um acordo político será indispensável.
O objetivo é associar os russos a uma solução que deverá ser sancionada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, através de seus membros permanentes ou não permanentes.
Na quarta-feira, os chefes de Estado e de governo europeus se reúnem para um primeiro contato com Romano Prodi, novo presidente da Comissão Européia, e, nessa ocasião, eles deverão fazer alusão a necessidade de que a solução para crise do Kosovo seja aprovada pelo Conselho de Segurança, associando também a ONU, como propôs, alias, seu secretário geral, Kofi Anann.
Dessa forma, os países aliados, entre eles os Estados Unidos, que ignoraram o Conselho de Segurança na primeira fase desse conflito, depois de resultados militares obtidos com os bombardeios, buscam obter o apoio político das Nações Unidas para um eventual acordo político que terá como base os cinco pontos já formulados pela aliança para a suspensão dos raids aéreos.
Hubert Védrine considera que as reações de Boris Yeltsin e suas declarações intempestivas fazem parte da suscetibilidade russa, mas que ele está afinado com os objetivos dos aliados, especialmente a França desde as negociações de Rambouillet, lembrando que seus esforços não podem ser negligenciados.
Entre eles, a viagem do primeiro ministro Yevgueni Primakov a Belgrado, mesmo se ele não tenha conseguido convencer o presidente Milosevic. De qualquer forma, a Rússia tem manifestado, segundo o ministro francês, seu desejo de alcançar um resultado positivo.
O problema maior desse acordo político é um de seus aspectos militares, o da presença de uma força de interposição entre albaneses e sérvios que Belgrado até agora não aceitava.
Há sinais de que uma força intermediária mista, formada por forcas da Otan e das Nações Unidas, poderá constituir a solução de compromisso que está sendo estudada. O vice-primeiro-ministro iugoslavo, Vuk Draskovic, já aceita essa possibilidade.
O ministro francês, um dos membros do grupo de contato, desmentiu que existam entendimentos para uma partição do Kosovo, uma solução que só poderia agravar o problema dos Balcãs.
Se isso ocorresse, segundo Védrine, poderia haver uma desestabilização das repúblicas vizinhas, onde existem minorias sérvias, croatas etc.
Por isso, é preciso buscar uma solução partindo do principio que o Kosovo é e continuará sendo uma província iugoslava que se encontra no interior das fronteiras dessa federação, o que não impede o caminho de uma ampla autonomia.
Segundo Védrine não houve nenhuma evolução da idéia de independencia, mas a manutenção da meta definida em Rambouillet e Paris, de autonomia.


