São Paulo, 30 (AE) - O presidente da CPI do Sistema Financeiro, senador Bello Parga (PFL-MA), afirmou hoje ao deixar o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, que não vê nenhuma razão, neste momento, para a convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor na comissão, como quer o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Parga defendeu a reconvocação do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, a quem na sessão de segunda-feira dera voz de prisão.
Afastado do cargo na CPI por dez dias, por recomendação médica, Parga afirmou que "até agora", na há "nenhum documento, ou depoimento, que justifique a convocação de Pedro Malan, nem de qualquer outro ministro". Para o senador, se houver a necessidade de obter esclarecimentos do ministro da Fazenda, sempre a partir da análise de dados e documentos, Malan "será convocado".
Bello Parga evitou opinar sobre a briga do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que afirmara que Malan não iria à CPI. "São opiniões de pessoas de responsabilidade, não vou comentar." A tese de que Malan deveria ser convocado por ser superior ao presidente do Banco Central não se sustenta, de acordo com o senador.
"O Banco Central tem autonomia e a diretoria autoridade
se o BC procedeu com erro, se foi erro de má fé, se houve tráfico de informação, isso nós vamos apurar", contou.
O presidente defendeu novo depoimento de Francisco Lopes à CPI, mesmo com o direito assegurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dele nada falar que possa incriminá-lo. "Ainda nestas condições, o depoimento pode trazer alguma luz para a elucidação dos fatos", ponderou. Bello Parga garantiu que não sofreu nenhum tipo de pressão na presidência da CPI, não acredita em manobras para esvaziar o poder e a ação da comissão e rejeita as apostas de que esta poderá acabar antes de esclarecer os fatos. "É impossível pararem a CPI dos Bancos", avisou ele. "São três investigações sobre o assunto: a dos procuradores do Rio (do Ministério Público Federal), a da Polícia Federal e desta comissão, todas acompanhadas pela imprensa."
Ao deixar o Incor, Parga seguiu para Brasília onde deve recuperar-se da intervenção cirúrgica a que foi submetido. A angioplastia com colocação de prótese foi necessária para desobstruir a artéria coronária, já que havia o risco de enfarte. Ele foi atendido no instituto pelo cardiologista José Antonio Ramires.

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