Curitiba- A seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) divulgaram ontem, véspera do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, uma radiografia dos crimes praticados em Curitiba.
A pesquisa foi feita no segundo semestre do ano passado, a partir da análise de 99 processos nas varas criminais da capital relativos a violência contra pessoas com idade até 18 anos. Os números apontaram que os crimes mais recorrentes contra crianças e adolescentes foram atentado violento ao pudor (61,11% dos casos) e estupro (33,07%).
O levantamento demonstrou também que na grande maioria das ocorrências o agressor era parente da vítima ou alguém próximo da família: em apenas 7,69% dos casos o autor da violência era desconhecido da criança ou adolescente. O dado mais alarmante, entretanto, é relativo ao atendimento prestado: em 85,85% das ocorrências não foi dado nenhum encaminhamento às vítimas.
A presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-PR, Márcia Caldas Veloso Machado, comentou que em vários casos há conivência com o agressor, porque a família opta pelo silêncio. ''A impressão que temos é que vivemos no paraíso na Terra, porque não se fala abertamente sobre a violência contra crianças e adolescentes. Mas ela existe e nós precisamos de programas para respaldar as vítimas, os agressores e as famílias'', disse Márcia Caldas.
A OAB-PR e a PUC-PR defendem a criação de uma vara especializada nesse tipo de ocorrência. ''Isso permitiria a obediência ao princípio de prioridade absoluta e proteção integral, maior celeridade nos processos, o encaminhamento e o atendimento especializado das vítimas'', argumentou a professora Jimena Cristina Gomes, da PUC-PR.
A pesquisa apontou que homens praticaram a maior parte das agressões (92,23% dos casos). Das vítimas, 46,08% tinham entre 6 e 10 anos de idade. ''Quanto mais jovem a criança, menor a capacidade dela de se defender'', afirmou Jimena.

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