Parentes protestam contra impunidade
Agência Estado
Do Rio
Vinte e um caixões de papelão - alusão ao número de mortos na chacina de Vigário Geral - foram depositados, ontem, em frente da sede do Ministério Público Estadual, no Rio, em protesto contra o adiamento do júri de um dos acusados do crime, Roberto Cezar do Amaral Júnior, que deveria ser iniciado ontem. O adiamento foi comunicado na sexta-feira. O novo julgamento deve acontecer ainda em agosto, a data, no entanto, não foi definida.
Segundo o procurador-geral da Justiça José Pinheiro Filho, um desencontro na data das férias do juiz e do promotor do caso provocou o adiamento. De acordo com ele, o juiz José Geraldo Antônio deveria sair de férias em julho; mas se antecipou e, ao remarcar o julgamento, a data coincidiu com as férias do promotor do caso. Ele tentou remarcar o julgamento para hoje (ontem), mas não deu certo, afirmou. Há uma briga entre a promotoria e o 2º Tribunal do Júri e por isso todos os promotores entraram em greve, acusou a advogada de parentes de vítimas da chacina, Cristina Leonardo.
O julgamento de ontem coincidiria com o aniversário de nove anos do desaparecimento de três adultos e oito adolescentes de um sítio em Suari, em Magé, Grande Rio. Após o desaparecimento, um grupo de mulheres passou a se reunir para pedir justiça e acabaram conhecidas como Mães de Acari. Três anos depois, uma delas, Ediméia da Silva, foi morta a tiros, no centro do Rio. Ontem, elas pediam o resultado da escavação em um suposto cemitério clandestino descoberto na cidade onde, acreditam, podem estar estes corpos.
Parentes de vítimas das duas chacinas se reuniram pela manhã na Igreja de Santa Luzia, no centro, onde participaram de uma missa. Em seguida, saíram em passeata até a sede da Procuradoria-Geral de Justiça. Com um lenço em uma das mãos e um caixão de papelão na outra, o aposentado Valdir Bahiense, de 63 anos, chorava pela morte de seu filho, Amarindo, de 31 anos, uma das vítimas na chacina de Vigário Geral. O frentista foi fuzilado na porta de casa. Eu ouvi os tiros, mas não podia imaginar que fosse meu filho, contou.
Também participaram do protesto parentes de vítimas de outros casos de violência e de pessoas desaparecidas. No local, os manifestantes cantaram o Hino Nacional. Muito emocionada, a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, que trabalha com crianças de rua, disse que pelo menos 61 meninos foram assassinados esse ano.





