Parentes esperam encerrar capítulo aberto pela ditadura
As duas parentes dos desaparecidos políticos que acompanham a escavação em Nova Aurora, Oeste do Paraná, demonstram sentimentos semelhantes ao falar do episódio. Bastante esperançosas, a psicóloga Lilian Ruggia, 39 anos, irmã do desaparecido político Enrique Ernesto Ruggia, e a assessora de imprensa, Kátia Elisa Pinto, 34 anos, filha do sargento do Exército Onofre Pinto, revelam o desejo de completar um capítulo em aberto da história da ditadura e, assim, oficializar a morte de seus parentes.
Enquanto observava os operários escavando, Lilian recordou que tinha 17 anos quando o irmão, na época com 18 anos, avisou que iria viajar ao Brasil junto com amigos socialistas para participar da guerrilha. Ele me deu um beijo, falou que iria retornar para casa em dez, vinte dias, e disse tchau. O acadêmico de Veterinária, em Buenos Aires, nunca mais retornou ao país de origem.
Também atenta ao trabalho de escavação, a jornalista Kátia Pinto lembrou que a avó dela, Maria Pinto, morreu no começo da década de 90, aos 80 anos de idade, imaginando que Onofre Pinto estivesse vivo. Creio que para maioria das culturas é importante enterrar seus mortos. Irei esperar a conclusão sem pressa. Espero sair daqui com a certeza de terminar esse capítulo, disse a jornalista. Ela destacou ter esperanças de levar a notícia do encontro dos restos mortais do pai para a família em São Paulo. (A.P)





