São Paulo, 02 (AE) - Ao ver anunciada na televisão a notícia de que a polícia localizou outra ossada no Parque do Estado, Angélica Fraenkel desligou o aparelho. Sua filha, Isadora Fraenkel, foi uma das vítimas do motoboy Francisco de Assis Pereira e ela não se conforma que, passado quase um ano desde a descoberta da primeira vítima, os policiais ainda encontrem corpos. "Acho estranho depois de um ano eles localizarem um corpo". Novas informações sobre o caso representam a continuação do sofrimento para Angélica. "Não quero mais sofrer por causa disso". Ela acreditava que a polícia tivesse encontrado a nova ossada com base em denúncias anônimas. Não sabia que a indicação havia sido feita pelo maníaco. "É um absurdo".
O artista plástico Antônio Henrique Ferreira, ao contrário de Angélica, viu todo o noticiário e indignou-se ainda mais que a mãe de Isadora. Primo de Raquel Mota Rodrigues, também vítima de Pereira, ele não se conforma que a polícia só localize os corpos quando o maníaco indica onde eles estão. "Na época em que acharam os primeiros cinco corpos deviam ter feito uma varredura completa no Parque do Estado". Para ele, mesmo que os policiais argumentem que a mata é muito extensa e fechada
as investigações não podem depender apenas das informações dadas pelo assassino confesso. "Além disso, todos os corpos foram encontrados perto uns dos outros e nenhum estava no meio da mata", disse. "A polícia não localizou nenhum, todos foram achados pela indicação de alguém". Ferreira acredita que Pereira esconde muitas informações. "De louco ele não tem nada". Indignação - A indignação da família de Isadora Fraenkel com relação às investigações teve início quando Pereira foi preso por utilizar cheques de Isadora antes mesmo de começar a ser encontrados os corpos. O motoboy, antes de ser liberado, disse à polícia que era namorado da jovem e ela lhe emprestara os cheques. O pai de Isadora, Cláudio Fraenkel, desmentiu diversas vezes essa versão até o dia em que Pereira confessou ter matado Isadora, momentos depois de tê-la conhecido. O motoboy disse também ter voltado ao lugar onde deixara o corpo de Isadora depois de ser solto pela polícia. No Parque do Estado, ele pôs fogo no corpo de sua vítima e, nas semanas seguintes, matou outras mulheres.

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