Parentes de vítimas de naufrágio vão à Justiça no AM
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
Os parentes das vítimas do naufrágio do barco Ana Maria VIII começaram a se mobilizar para tentar na Justiça conseguir indenização por perdas e danos. O barco, que vinha de Porto Velho (RO), afundou no último dia 10 nas águas do rio Madeira, próximo a Manicoré (480 km de Manaus). Até ontem foram encontrados 18 corpos, mas existem 34 pessoas desaparecidas - incluindo 15 crianças.
Entre os desaparecidos está o pai de Antônio Queiroz, Zenóbio Coelho de Queiroz, 76 anos. Antônio esteve em Manicoré durante as buscas e filmou boa parte da operação de busca dos corpos. O barco estava lotado e as autoridades dificultaram o resgate, disse Queiroz. Até ontem, Queiroz já tinha reunido dez parentes de vítimas que moram em Manaus e começava o contato com pessoas de outras cidades.
Ontem, a equipe de resgate suspendeu a procura dos corpos e iniciou a retirada das cargas. O tenente Antônio Ferreira do Norte Filho não descarta a possibilidade de ser encontrado algum corpo, mas acredita que a maioria dos desaparecidos deve ter sido devorada por peixes e jacarés. Norte Filho nega as acusações de negligência.
Segundo a Capitania dos Portos, o barco estava sem alvará de segurança e tinha capacidade para 150 pessoas. Somando as listas de sobreviventes, mortos e desaparecidos, o número de pessoas a bordo seria de 183 pessoas. Os mergulhadores também identificaram na embarcação dois carros amarrados aos escombros. Ao sair de Porto Velho, na terça-feira, dia 9, o proprietário do barco, Paulo Fonseca, entregou para a Capitania a relação de mercadorias. Eram 15 toneladas de grãos, verduras e frutas, e nenhum carro foi registrado.


